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Opinião

Desencanto

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Pesquisa divulgada na sexta pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que a confiança do brasileiro no Poder Judiciário, no governo federal e nos partidos políticos caiu no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o último relatório lançado, feito no mesmo período de 2014. Segundo a pesquisa Índice de Percepção do Cumprimento das Leis, a maioria das instituições analisadas têm confiança de menos de 50% da população. O percentual de pessoas que confiam nos partidos políticos caiu de 7% (2014) para 5% (2015) e, no governo federal, de 29% para 19%. Os que disseram confiar no Congresso Nacional permaneceram em 15% e os que confiam no Poder Judiciário caíram de 30% para 25%. O fato é que a confiança do brasileiro nas instituições vem caindo, e a desconfiança está relacionada, em grande parte, com a percepção do mau funcionamento das instituições e principalmente com a permanência do fenômeno da corrupção. O abismo entre eleitores e representantes se agrava à medida que a percepção da impunidade e da corrupção fica mais forte entre os cidadãos. Chama a atenção, por exemplo, a pouca credibilidade atribuída aos partidos políticos (7%) e ao Congresso Nacional (15%). Esse descrédito deriva fundamentalmente do desempenho do Congresso, que é percebido pela população como uma instituição cujas prioridades são os próprios interesses da classe política. As pessoas enxergam os parlamentares mais preocupados com seus próprios projetos e benefícios muitas vezes atrelados à corrupção. Nessa medida, cria-se uma distância entre a instituição de representação ? e fundamental à democracia ? e os eleitores na sua posição de representados. Cresce também, no Brasil, a ideia de que as leis não são aplicadas aos mais poderosos, de que a justiça funciona apenas para punir os pequenos. É nesse ambiente de desencanto que floresce o radicalismo, a intolerância e até a defesa de teses insensatas, como a de uma intervenção militar no País para acabar com a ?bandalheira?. A pesquisa, portanto, deve servir como um grande alerta às instituições, que devem fazer a autocrítica e as mudanças necessárias para recuperar a credibilidade perdida. A democracia brasileira só tem a agradecer.

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