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Reestruturar forma��o m�dica � primordial para o SUS

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A expansão e a melhoria do atendimento médico no País é um projeto que abrange inúmeros desafios. Para ser profunda e duradoura, a mudança deve acontecer nas bases da formação médica, garantindo o aumento e a melhor distribuição da força de trabalho nas cidades e regiões. O Ministério da Saúde, junto com a pasta da Educação, vem reunindo esforços para aprimorar as políticas destinadas ao atendimento médico no Sistema Único de Saúde. Uma dessas medidas é a mudança de paradigma no ensino médico. Ainda predomina no Brasil a formação ?hospitalocêntrica?, tendo a falsa percepção de que a maior parte das necessidades de saúde é resolvida na alta complexidade. Por outro lado, o SUS tem como porta de entrada a Atenção Básica, onde cerca de 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos sem o encaminhamento para hospitais e clínicas especializadas. Por isso, é primordial direcionar a formação médica para a Atenção Básica. O governo federal deu início a esse processo por meio do Mais Médicos, em que uma das frentes é a implementação de mudanças no curso de Medicina. Em 2014, o Conselho Nacional de Educação aprovou novas diretrizes para promover avanços na formação de médicos com qualidade e perfil mais adequado às necessidades da população. Uma delas é a exigência de que 30% do internato da graduação ? quando o estudante intensifica seu conhecimento prático ? ocorram em unidades básicas e serviços de emergência do SUS. Além disso, está prevista avaliação progressiva do nível dos alunos e a qualidade das faculdades, a cada dois anos. Também precisamos olhar mais para a residência médica, estimulando as especialidades mais importantes para a saúde pública. O médico de família não é visto como um especialista ?prestigioso? e isso precisa mudar para se construir uma Atenção Básica resolutiva e humanizada e um SUS mais efetivo. O foco, agora, é operacionalizar a determinação legal de que, até 2019, para cursar residência na maioria das especialidades, será necessário fazer de um a dois anos de residência em Medicina Geral de Família e Comunidade, com atuação na Atenção Básica. As discussões precisam evoluir para efetivamente termos um médico que tenha sólidas bases nesse importante pilar dos sistemas universais de saúde. Essas mudanças vêm sendo acompanhadas por uma expansão contínua mas criteriosa do ensino e exigem também a formação de docentes e preceptores. Já é ponto pacífico que faltam médicos no Brasil e, diante disso, precisamos formar mais profissionais, sempre com qualidade e foco em vazios assistenciais. A nova lógica já autorizou a abertura de 39 cursos de Medicina em cidades sem faculdades. Outros 22 serão autorizados. O caminho é longo e os resultados virão com o tempo. No curto prazo, estamos garantindo assistência para 63 milhões brasileiros por meio da atuação de 18,2 mil profissionais do Mais Médicos. Mas, apenas no longo prazo, teremos uma verdadeira transformação no atendimento. São projetos como este, no entanto, que trazem os mais importantes frutos: políticas de estado que buscam soluções definitivas para os problemas da sociedade.

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