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Opinião

Um grande historiador

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É comum só ouvirmos falar de renomados historiógrafos, ensaístas, biógrafos que elucidam épocas. No Brasil, cada um a seu modo e tempo, notabilizaram-se Varnhagen, Pedro Calmon, José Honório Rodrigues, Luís Viana Filho e inumeráveis outros. Não podemos, contudo, esquecer aqueles que, mesmo não diplomados em cursos superiores, são dotados do dom de enriquecer nossa memória com sua oralidade e também podem, sem dúvida, ser considerados historiadores. Entre esses incluo meu pai, Adelmo de Almeida Vasconcelos (1915-83): sabia de cor muitos dos causos transcorridos em Viçosa, Alagoas; fora um exímio narrador, sobretudo quando se detinha em sua terra e seus habitantes, notadamente em episódios que iam do cômico ao trágico, de que talvez sequer os próprios familiares tivessem ciência. Funcionário público federal, voz pausada, sereno, introspectivo, contraditoriamente mais ouvia que falava. Estava sempre atualizado por meio da imprensa ou pelo que lhe contassem. E foi sobretudo por este ouvir dizer que ele me transmitiu enredos cheios de peculiaridades, os quais, por feliz sugestão de meu filho Marcos, reconstituí e recolhi num livro em sua homenagem. Dentre mais de quarenta crônicas, uma dessas envolve o dentista Frederico Maia e seu irmão mais velho, o coronel Eduardo Maia, ambos políticos, sendo o último senhor das terras do Cafuxi e da Boa Esperança. Aos domingos, gostavam de mandar selar seus cavalos a passeio. A curiosidade: enquanto doutor Frederico pesava seis arrobas e nove quilos, o latifundiário Eduardo Maia contabilizava, de corpulência, nove arrobas e seis quilos. Havia ensinamento em sua prosa. Um deles: as famílias que enveredaram pela paz, pelos estudos, pelo trabalho, se deram bem; e aquelas que seguiram os descaminhos despóticos e truculentos acabaram de alguma forma pagando altos preços em seus destinos: opulências sucedidas de pobrezas ou perdas fatais. Isto muito lembra a frase do ex-reitor, radicado em Alagoas, Nabuco Lopes, o qual costumava dizer a meu saudoso amigo, doutor José Fernandes, viçosense e cidadão de Arapiraca: ?pais ricos, filhos nobres, netos pobres?. Externo-lhe a minha gratidão, meu pai, que no último dia 29 de maio completaria cem anos; a você, meu melhor amigo, que tanto me quis ver gente, ético no cumprimento de minhas obrigações e destemido na luta por meus sonhos.

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