loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
terça-feira, 28/07/2026 | Ano | Nº 6276
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Os bispos de D. Bosco

Ouvir
Compartilhar

DOM EDVALDO G. AMARAL * O Santo que a Igreja vai celebrar no próximo dia 31, S. João Bosco, relacionou-se com quatro arcebispos, durante seu ministério sacerdotal em Turim. Curiosamente, tal relacionamento foi bastante diversificado com cada um deles. Mons. Luiz Fransoni (na Itália se dá o título de ?Monsignore? aos bispos) foi eleito arcebispo de Turim a 24 de fevereiro de 1832 e tomou posse soleníssima da Arquidiocese da capital do Piemonte a 1º de abril daquele ano. João Bosco fazia então o curso ginasial em Chieri, a cidade mais importante da região. Entra no Seminário em 1835 e em 5 de junho de 1841, é ordenado sacerdote na própria capela da Residência episcopal, pelo Arcebispo Luiz Fransoni. Daí já se vê uma especial deferência do Arcebispo pelo jovem diácono de 26 anos. Começou então, a partir daí, uma sincera e leal amizade, marcada pela obediência filial e pelo respeito hierárquico ao seu pastor. Dom Bosco teve de suportar grandes perseguições no início de sua obra em favor dos meninos abandonados de Turim. Certa vez, o Marquês de Cavour, prefeito da cidade, mandou chamar o Santo e lhe ordenou que desistisse de sua obra, considerada perigosa para a ordem pública. Dom Bosco replicou com nobreza: ?Desisto, se meu Arcebispo me mandar!? - Far-lhe-ei dar esta ordem ? respondeu irritado o Marquês, atônito com esta impensável resistência. Mas em vez da ordem de encerrar seu trabalho com os meninos de rua, o que veio foi o apoio e a ajuda decidida do Pastor diocesano. Quando D. Bosco pôde finalmente estabelecer-se no humilde casebre Pinardi, convidou o Arcebispo para sua primeira visita ao Oratório no dia de S. Luís Gonzaga, administrando a Crisma. A capela era tão humilde que, quando Mons. Fransoni tentou usar a mitra para o sermão, esquecido de onde estava, bateu no forro da capelinha e depondo a mitra, comentou sorrindo: ?É preciso usar de respeito para com estes meninos e falar-lhes de cabeça descoberta...?. Todas as suas iniciativas e progressos, D. Bosco comunicava ao seu Superior e sempre recebia dele aprovação e incentivo. Mons. Fransoni sofreu terríveis perseguições por parte do governo do Piemonte, dominado pelos revolucionários da unificação da Itália e inimigos da Igreja de todos os matizes. Teve seu palácio episcopal várias vezes apedrejado e recebeu, outras vezes, insultos e vilanias sob as janelas de sua residência. Saindo da Catedral, após um ?Te-Deum? de ação de graças por uma vitória militar contra os alemães, o Arcebispo foi vaiado pelos partidários da revolução. Com a insegurança pela sua integridade física e por solicitação do próprio Ministro do Interior, em 29 de março de 1847 deixou sua cidade episcopal e retirou-se para a Suiça. Dom Bosco, em qualquer circunstância, prestou-lhe absoluto e irrestrito apoio, aconselhando-o também a deixar a capital do Piemonte. Antes de partir, Mons. Fransoni recomendou ao Santo seus seminaristas, o que D. Bosco fez com todo zelo e dedicação. Em 15 de março de 1850, Mons. Fransoni retorna a Turim. Em 15 de abril seguinte, o pastor turinês, com apostólica intrepidez, envia ao clero uma circular secreta dando instruções de como se comportar diante da nova lei, que suprimira o privilégio do fôro eclesiástico. Foi condenado a um mês de cadeia em Citadella, sendo sempre visitado por Dom Bosco e os seus jovens. Pouco depois, foi convidado a renunciar à Arquidiocese e ele respondeu: ?Eu seria um covarde, se nesses tempos difíceis para a religião, abandonasse a diocese que me foi confiada?. Preso, foi levado prisioneiro à fortaleza de Fenestrellle, nos Alpes, região de longo e rigorosíssimo inverno. E ficou proibido até de confessar-se a um frade capuchinho, capelão da fortaleza. Dom Bosco enfrentou muitas vezes o frio para homenagear seu querido Arcebispo, e teve que responder à polícia sobre o porquê daquelas visitas. A 28 de setembro, Monsenhor secretamente foi conduzido, através das montanhas, para o exílio, que ele amargou em Lion (França) até à morte, em 1867. Do exílio forçado, o Arcebispo dirigia, como podia, sua amada diocese, e não se cansava de recomendar a D. Bosco de providenciar o futuro de sua obra educativa no caso de sua morte. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

Relacionadas