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Opinião

A maior mudan�a

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EDUARDO BOMFIM * O Brasil vive atualmente sob o signo das mudanças. Há uma evidente relação de choque entre a emergência do novo, não apenas vitorioso mas necessário, que tem pressa em estabelecer-se e o velho, superado mas enraizado, teimando em permanecer. Daí porque a palavra ou o conceito de transição, tão usado em vários momentos, principalmente no vocabulário dos movimentos políticos, adquire atualmente uma importância bem mais rigorosa. Procura-se compreender a essência deste fenômeno. Porém, nada assume um valor maior que a definição sobre como suplantarmos o legado de oito anos de neoliberalismo, imposto ao País pelo governo Fernando Henrique Cardoso. A verdade é que torna-se impossível implementar mudanças se não forem travadas as lutas teóricas em defesa das transformações. Elas se desenvolvem concomitantemente através de medidas práticas, fundamentais para que surjam as alterações, sejam elas econômicas, sociais, além de políticas. É imprescindível determinar a ideologia, ou seja, o campo das idéias que orienta as novas formulações de um projeto nacional. E aqui surge o traço primordial do problema, a cultura que desejamos para uma nova etapa da vida brasileira. Cultura em sentido abrangente, amplo, que permeia toda a vida nacional, regional e alagoana. Transcende portanto uma visão restrita da palavra, embora circunscrita a um aspecto fundamental desta, as artes em geral. Esta cultura que determina o conjunto das nossas manifestações, expõe as nossas vulnerabilidades e, ao mesmo tempo, nossas fortalezas. Um instrumento pelo qual é possível viabilizar uma consciência de auto-estima e reafirmação da nossa trajetória soberana, através das nossas identidades, raízes nacionais e regionais. Compreendendo que sem uma ação efetiva de políticas públicas planejadas através do Estado será impossível viabilizar qualquer ação, seja lá em que campo for, que impulsione os anseios das maiorias excluídas da vida nacional. Porque de outra forma permanecerá intacta a nossa dependência humilhante aos ?produtos culturais?, fundamentais aos objetivos de dominação, em todos os níveis imagináveis, do mercado persa de idéias dos EUA. Uma espécie de cavalo de Tróia, um eficaz exército sem metralhadoras ou outras armas letais. Segundo o professor Samuel Pinheiro Guimarães, secretário geral do Itamaraty, a consciência colonizada das nossas elites se expressa em uma atitude subserviente, que alimenta sentimentos de impotência na população, ao atribuir as mazelas brasileiras à ?escassez de poder do Brasil?, ?à incompetência brasileira?, ?ao nosso caipirismo?, ?ao arcaísmo social?, à nossa inferioridade como sociedade. Sob esse ponto de vistaé que se procura fazer entender como raízes populares algo, exclusivamente, como simples permanência, impedindo que estas sirvam como elemento de pedagogia conscientizadora, de reflexão do sujeito, região ou nação. Resumir-se-iam apenas às formas artísticas genuínas, porém primárias, onde as camadas populares, em geral, reverenciam os poderosos, mostrando que ?sabem o seu lugar na sociedade?. Trata-se de uma credulidade fruto de opressão e assistencialismo, fatalista, e que precisa ser superada. Portanto, necessário se faz a luta ideológica e o bom confronto teórico que resgate o caminho, o orgulho e as qualidades de um povo culturalmente rico, inventivo, improvisador, capaz de descortinar com altivez o seu futuro libertador e o da própria nação. (*) É ADVOGADO

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