app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5730
Opinião

Muito al�m do arco-�ris

As redes sociais se encheram ontem com as cores do arco-íris depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos tornou legal, em todo o país, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A decisão, apertada – foram 5 votos a 4 – é o coroamento de décadas de ativis

Por | Edição do dia 27/06/2015 - Matéria atualizada em 27/06/2015 às 00h00

As redes sociais se encheram ontem com as cores do arco-íris depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos tornou legal, em todo o país, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A decisão, apertada – foram 5 votos a 4 – é o coroamento de décadas de ativismo e militância e oficializa aquilo que a maior parte dos americanos já aprovava. Com esse passo, os EUA juntam-se a outros 18 países que já garantem esse direito, incluindo Argentina, Brasil, Canadá, Espanha, Nova Zelândia, África do Sul e Uruguai. No Brasil, o casamento homoafetivo é permitido desde 2013, quando entrou em vigor resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo ela, os cartórios de todo o País não podem se recusar a celebrar casamentos civis de pessoas do mesmo sexo. Antes disso, já havia decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Se, nos EUA, o casamento gay já era amplamente aceito mesmo antes da decisão da Suprema Corte – cerca de 60% da população apoia, segundo as mais recentes pesquisas –, no Brasil ainda há muita resistência, principalmente por questões religiosas. Um levantamento feito pela agência de pesquisa de mercado e inteligência Hello Research mostrou que 49% da população brasileira se diz contra a legalização do casamento gay, 21% são indiferentes e 30%, a favor. Apesar de já garantir esse direito, o Brasil ainda está entre os que mais matam por homofobia, o preconceito contra homossexuais levado a extremo. Em 2014, ocorreram 326 mortes atribuídas a esse tipo de motivação. Por outro lado, mesmo pessoas que se opõem à equiparação das uniões homoafetivas ao casamento tradicional reconhecem que é legítimo regulamentar essas relações pela legislação civil, pois há questões práticas que o Direito não pode fazer de conta que não existem, tais como sucessões, beneficios previdenciários, aspectos patrimoniais. No sentido oposto, quem defende o casamento gay também deve respeitar as crenças e as doutrinas professadas pelos grupos religiosos. Todos têm o direito de expressar sua fé, desde que também respeitem o pensamento dos outros. Que cada um viva suas crenças e seu estilo de vida sem impô-los a ninguém. O respeito deve ser uma via de mão dupla.

Mais matérias
desta edição