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Opinião

Caminhar com prazer

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Caminhar é sentir a sensação da liberdade, um exercício tão bom que não faz bem apenas ao coração como recomendam os médicos. Estimula o bem-estar da alma, traz conforto espiritual, motiva a reflexão. Chega a ser o mais eficaz antídoto para combater males danosos à saúde. Não são poucos os homens e mulheres que adotaram a caminhada como a forma mais prazerosa para combater os vícios de fumar, beber e o descontrole dos chocólatras. O filósofo e poeta Friedrich Nietzsche entre inúmeros textos e frases marcantes que deixou como legado, escreveu: ?Os grandes pensamentos resultam da caminhada?. Todas as manhãs, pouco antes do sol nascer, percorro sete quilômetros indo e voltando na extensão de Jatiúca a Pajuçara. Já se vão mais de duas décadas que usufruo desse vício prazeroso onde quer que esteja, desafiando até temperaturas negativas como certa feita em Nova York. Seja entre os arranha-céus da Av. Paulista ou numa praia, em qualquer lugar onde haja espaço, o caminhar revitaliza e eleva o espírito. Ver pessoas, tipos, comportamentos e principalmente respirar a natureza alivia tensões durante o trajeto nos deixando leves para manifestar nossa fé e lembrar que Deus existe. Como resistir a beleza das praias de Maceió mesmo repetida milhares de vezes diante do olhar apaixonado por essa orla que a nada se compara? Rever todos os dias personagens que já se tornaram folclóricos no amanhecer como a senhora que vai e volta na areia elevando um bastão e andando para trás parecendo bailar ao ar livre; o moço que anda quilômetros concentradíssimo na leitura de um livro como se estivesse no conforto do sofá de casa; o idoso negro, alto e atlético correndo com uma colher na mão sabe-se lá por quê! A ?musa? dos andarilhos que distante, à beira-mar, coberta por um biquíni sensual saltita sorrateiramente para não molhar os pés com o vai e vem das ondas. Tem também as imagens de cortar coração que expõem crianças jogadas sob qualquer coisa ainda sonolentas pela cola que sugaram por toda a madrugada. Os moradores de rua ?felizes? dormem no chão abraçados com filhos e sarnentos cães vira-latas protegidas apenas por farrapos, quase pisoteadas pelos generosos fidalgos que por ali trafegam.

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