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Mais m�dicos e mais medicina

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Criado há dois anos para enfrentar o problema histórico da falta de médicos principalmente nas regiões mais carentes do País, o Mais Médicos está presente em 4.058 municípios (72,8% das cidades brasileiras) e 34 aldeias indígenas, com 18.240 profissionais. Desde o início, o programa provocou discussões e polêmicas, principalmente em relação à vinda de estrangeiros ? especialmente cubanos. Além da contratação emergencial de médicos, a iniciativa previa ações de melhoria da infraestrutura e da formação médica no país. Polêmicas à parte, o fato é que, para a população beneficiada pelo Mais Médicos ? um contingente estimado em 63 milhões de pessoas ?, o programa melhorou o atendimento e o acesso à saúde. Segundo pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais, 85% dos entrevistados disseram que a qualidade do atendimento médico está melhor ou muito melhor após a chegada dos profissionais do programa. Para 87%, a atenção do profissional durante a consulta melhorou e 82% afirmaram que as consultas passaram a resolver melhor os seus problemas de saúde. Foram entrevistados 14 mil pessoas entre novembro e dezembro de 2014 em 699 municípios atendidos pela iniciativa. Ao avaliar os serviços de saúde, as pessoas entrevistadas apontaram, de forma espontânea, que o número de consultas (41%), o fato dos médicos estarem mais atenciosos (35%) e o tempo maior de consulta (8%) foram os fatores que contribuíram para a melhoria no serviço. Já sobre os pontos positivos promovidos pelo programa, 60% destacaram a presença constante do médico e o cumprimento da carga horária e 46% disseram que o acesso às consultas melhorou. A pesquisa também mostrou os pontos que a população considera que deverão ser aperfeiçoados: falta de especialistas (63% destacaram este ponto) e acesso mais rápido aos exames (45%). Ao atribuir uma nota ao programa, a população apontou 9,0. Já os gestores classificaram com a nota 8,7 e os próprios médicos, 9,1. O Mais Médicos tem o mérito de levar o profissional a áreas que estava totalmente desassistidas. Entretanto, não se pode deixar de cobrar do governo mais investimentos em infraestrutura. Não adianta ter médicos se não há equipamentos básicos nem remédios para que eles possam trabalhar. É preciso levar a medicina, não apenas médicos.

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