Opinião
Mais escolas, menos pres�dios
Na última semana o país deu um passo perigoso rumo ao abismo da insegurança jurídica. A atitude do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em recolocar em votação uma proposta já derrotada em plenário mostra o nível em que chegamos de desrespeito aos princípios republicanos. Mas neste artigo quero me ater especialmente ao conteúdo da PEC que propõe a redução da maioridade para 16 anos. Para isso farei um recorte histórico que explica o contexto em que vivemos. Nos últimos 45 anos, a maior parte da população brasileira deixou de ser rural e passou a ser urbana. Com isso, as cidades começaram a crescer, de forma desordenada, e mais freneticamente nos últimos 20 anos, o que culmina em paralelo com a explosão da violência. Tudo feito sem planejamento, com interesses econômicos e muitas vezes com oportunismo. Pois bem, a tranquilidade em ficar na porta de casa ou ir andando até a casa de um amigo deixou de fazer parte do nosso cotidiano. Afinal, essas pessoas foram jogadas nas cidades sem nenhum apoio da figura do Estado. E só encontraram espaço nos bolsões de miséria nas áreas periféricas. Elas não tinham acesso a saúde, educação, assistência social, habitação ou segurança. E destaco que a maioria dessas famílias é formada quase que exclusivamente por homens e mulheres de bem. A miséria levou parte dos filhos dessas pessoas ao mundo do crime. E eles foram marginalizados pelo sistema, em alguns casos, viraram verdadeiros animais, homicidas, sem nenhum amor ao próximo, ao semelhante. Roubam com a frieza, da ausência da alma, da despreocupação com o amanhã, não sonham com o futuro. Vivem apenas o momento, o prazer da droga e sofrem com a prisão do vício. Não visualizo que a mudança na lei resolva um problema com contornos sociais e econômicos tão latentes. Essa alteração vai apenas escondê-lo. Sou professor, sei o valor da educação para libertação do homem. Presido um instituto que tem como meta a propagação da cidadania e enxergo que o futuro se traça em cima dos trilhos da difusão do saber. Basta ver o que foi feito na Europa no pós-guerra ou mais recentemente na Coreia do Sul. Economias que cresceram, indicadores que melhoraram. Todos ganharam. Lamento o que está sendo feito, pois não há garantia de que a sensação de segurança seja melhorada, pois lembro que hoje o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Rússia, sendo que nem assim estamos seguros. E com a redução da maioridade penal sendo aprovada abriremos espaço para que o número de presídios só venha a crescer, enquanto o número de escolas e professores permaneça o mesmo.