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Opinião

Terra, minha irm�!

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Comecei este artigo com uma colocação cara a São Francisco de Assis. Ele sempre se considerou parte da criação e então chamava as criaturas de suas irmãs. De fato, sabia viver em harmonia com a natureza! Pensando neste santo, nosso Papa começa sua mais recente Encíclica com a expressão ?Louvado sejas, meu Senhor? falando sobre nossa casa comum, o planeta Terra. Esta carta é direcionada a todas as pessoas, como uma forma pretendida pelo Pontífice de entrar em diálogo sobre questões sérias em relação à ecologia. Como moro na cidade de Porto de Pedras, conhecida pelas águas translúcidas e por ser parte da região da Costa dos Corais, o conteúdo da Encíclica me saltou aos olhos logo que tive contato com o mesmo. Ao caminhar na praia ontem, percebi a quantidade de lixo ali existente. O último Fórum Socioambiental da Área Norte e que foi sediado aqui tratou justamente sobre essa questão. Mas, ao ler a carta do Papa, confesso que também fui tendo uma visão espiritual da realidade. Ele nos faz uma exortação sobre o mal feito à Terra e nos diz isso ser fruto do pecado. Na cultura do descarte, do consumismo e do imediatismo, acabamos por criar situações que não conseguimos gerenciar depois; isto é fruto do mal que geramos quando nos achamos autossuficientes e nos afastamos de Deus. ?Anualmente, desaparecem milhares de espécies vegetais e animais, que já não poderemos conhecer, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre. (...) Por nossa causa, milhares de espécies já não darão glória a Deus com a sua existência, nem poderão comunicar-nos a sua própria mensagem. Não temos direito de o fazer?. Isso foi exposto na Encíclica e lembrei demais do nosso recinto do Peixe-boi, chamariz de Porto de Pedras. Recordo-me de todas as vezes que ali estive e escutei: ?o seu maior predador e causa de extinção é o homem?. Conta-se aqui que Dom Pedro II ao descansar à sombra de um Oitizeiro ficou admirado com a beleza do lugar. Contemplou e seguiu viagem. Hoje, se perdemos esse encantamento, nos diz o Papa, teremos atitudes de ?domina­dor, consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos?. E até onde vão nossos interesses? A que custo? Os escritos do Papa nos ajudam a refletir e sermos conduzidos por uma valorização do que nos foi dado por Deus.

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