Opinião
Bloco de peso
A sétima cúpula dos Brics ? grupo de economias em desenvolvimento formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul ? realizada esta semana na cidade russa de Ufá, simbolizou um impulso para a consolidação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). A nova instituição pretende financiar os primeiros projetos de desenvolvimento sustentável em países subdesenvolvidos já a partir do ano que vem. Trata-se de diversificar as fontes de financiamento para cobrir o grande deficit de infraestrutura nos países emergentes. Além disso, é a primeira instituição financeira de caráter global que não é liderada pela Europa ou pelos Estados Unidos. O banco, portanto, simboliza o fim do domínio de algumas instituições, como o FMI e o Banco Mundial. A cooperação entre os Brics vem se intensificando a cada ano e abrange uma ampla gama de temas e modalidades. Desde a sua criação, o grupo tem atuado principalmente nas instituições financeiras multilaterais e no G20, em busca de sua democratização. Os cinco países são grandes produtores de trigo, soja, minérios e petróleo, além de terem incorporado enormes contingentes de consumidores, com destaque para a China e o Brasil. Na crise de 2008, os mercados desses cinco países continuaram crescendo, principalmente o chinês. O economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs, Jim O? Neil, foi o primeiro a chamar a atenção do mundo em 2001 para quatro países com capacidade de se tornarem potências econômicas em médio prazo. Ele batizou de Bric ? sigla que também forma a palavra ?tijolo? em inglês ? o conjunto formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2011, o grupo ganhou o S, com a entrada da África do Sul (South Africa, em inglês). Apesar das sanções econômicas sobre a Rússia e da desaceleração das economias do Brasil e da China, o peso financeiro do Brics continua a aumentar e sua importância também. O total da produção econômica no ano passado dos cinco países (U$ 17 trilhões) quase igualou o PIB dos Estados Unidos. Em 2007, a economia americana era duas vezes maior do que a do Brics. No cenário mundial, o banco criado pelo Brics é visto como um instrumento capaz de alterar a geopolítica financeira e pressionar para que mudanças concretas ocorram nas grandes instituições financeiras mundiais.