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Opinião

Recorda��es das chuvas de julho

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No meu tempo de menino o mês de julho já era bem conhecido como intensamente chuvoso. E eu olhava o Parque Gonçalves Lêdo cheio d?agua, onde morava, ficava encantado de ver os eucaliptos agitados pelo vento e o bondinho lentamente passando entre eles com destino ao Farol. Passada a chuva, melhorava o tempo e lá vinha o sol, e eu ficava nas sombras dos enormes eucaliptos acompanhado ora do meu pai, ora do meu avô, e, de quando em vez, subia no bondinho para um gostoso passeio. Confesso que essa página tão expressiva quanto afetiva da minha vida transporta-me a um passado longínquo. Eu tinha meus quatro anos e todas as vezes que chovia minha avó Maroca já ia me chamando para eu aprender bem as primeiras letras na sala da copa. Éramos vizinhos. Tranquila, mostrava-me as letras do alfabeto, aqui e ali, completando as palavras mal escritas, o modo de segurar o lápis sobre o papel sem machucá-lo. Foi ali, naquele ambiente simples que eu iniciei as minhas primeiras incursões pelo mundo das letras e dos algarismos. Foi ali a minha primeira escola da vida e sobretudo o meu primeiro teste sobre o viver. O tempo passou, mas ainda hoje tenho uma profunda admiração pela natureza. Durante todo o inverno que agora começa, a chuva cai em abundância na maioria das cidades brasileiras. Nossa vida se assemelha as estações do ano: temos dias de inverno com chuvas fortes e até tempestades que nos angustiam e dias de verão, cheios de alegria, muito sol e muita luz. É uma coisa extraordinária como a natureza obedece a uma disciplina: primavera, verão, outono e inverno, cada uma destas a seu tempo com suas características. Agora, no inverno, as sementes das plantas ficam quietas, paradas, aguardando a primavera para sua vitalidade; É o calor do sol que as faz desabrochar e florescer. Assim como as plantas necessitam do calor do sol para fazê-las desabrochar, os seres humanos também necessitam do calor humano, do entusiasmo para que sejam felizes. Quando vejo uma árvore sadia abatida pelo egoísmo humano, fico triste não apenas por ela, mas pelos pássaros que perderam abrigo e o repouso nas noites frias do inverno. A natureza nos oferece diariamente esse espetáculo de perfeição e beleza como o nascer e o pôr do sol. E essa gente boa e simples do nosso Nordeste, já tão sofrida pela ausência das chuvas, nesses dias tem sofrido pelo excesso de água.

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