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Eleva��o dos juros

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Um dos maiores equívocos dos formuladores da política econômica de FHC foi perseguir baixas taxas de juros, não como um instrumento de promoção do desenvolvimento econômico, mas como um fim em si mesmo. Ao mercado, caberia encontrar os caminhos para que isso acontecesse. Nem o mercado promoveu o desenvolvimento, nem a inflação se manteve nas taxas desejadas. Esta fé cega num dos dogmas mais caros ao liberalismo foi sustentada pelas altas taxas de juros. Não é segredo para ninguém, até pelo contrário, que os novos responsáveis pela política econômica no Ministério da Fazenda e no Banco Central, em seus discursos públicos, sempre enfatizaram que manteriam a política econômica de FHC. Na primeira oportunidade que tiveram, demonstraram ao mercado que estavam falando sério. A primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) no governo Lula elevou a taxa de juros de 25% para 25,5% ao ano. A medida surpreendeu a maioria dos analistas econômicos que esperavam a manutenção da taxa básica de juros (Selic). Para muitos, a decisão não foi tomada por motivos econômicos, como o alegado, mas sim por motivos políticos: sinalizaria ao mercado que a política econômica do novo governo continuará privilegiando o capital financeiro. Como é sabido, o aumento dos juros não apenas inibe os investimentos produtivos, como também eleva a dívida pública. Sua elevação vai à contramão do discurso oficial do governo Lula da Silva: fome zero, inclusão social. Temas tão em evidência nas hostes dos integrantes do novo governo, ficam comprometidos com a decisão do Copom. Como compatibilizar a manutenção da política econômica de FHC, tão criticada pelo PT, com as promessas de mudanças no cenário dos graves problemas sociais brasileiros, eis uma questão que nenhum analista arriscaria um palpite. ?Esqueçam o que escrevi?, apelou FHC durante seu governo, quando começou a tomar medidas que iam de encontro ao que defendera décadas antes em seus livros. Esperamos que o novo governo não esqueça tudo o que defendeu antes da eleição.

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