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Nº 5730
Opinião

Rea��es inesperadas

Somos seres únicos. E como tal, apresentamos características peculiares. Sentimentos, emoções, ações, pensamentos, temperamentos, enfim, tudo ímpar. Até aí, não disse nada que já não se saiba! Vejamos, então! No silêncio interior das aeronaves, nos prolon

Por | Edição do dia 14/07/2015 - Matéria atualizada em 14/07/2015 às 00h00

Somos seres únicos. E como tal, apresentamos características peculiares. Sentimentos, emoções, ações, pensamentos, temperamentos, enfim, tudo ímpar. Até aí, não disse nada que já não se saiba! Vejamos, então! No silêncio interior das aeronaves, nos prolongados voos internacionais, refleti o comportamento variado das pessoas. Num grupo de senhoras na faixa etária de sessenta anos ou mais, o assunto era profilaxia das doenças. Cada uma relatava suas preferências. Uma fazia Pilates, outras, caminhadas, etc. Eis que ouço uma declaração inédita: “Quero morrer de Alzheimer, gagá, gagá...” não pude conter o riso: gargalhei! Declaração hilária! Fiquei curiosa. Interroguei-a: O que a faz pensar assim? E fui logo, nas entrelinhas argumentando: Nada igual à lucidez! Ela continuou: “Morrer lúcida é sofrer dobrado. Já cuidei dos filhos! Eles que cuidem ou não de mim. E se não cuidarem de mim, não terei noção do abandono.”. Continuei rindo... As demais amigas surpreenderam-se. Horrorizadas, contestavam ao mesmo tempo. Passado o episódio, passei a refletir. Seria comodismo? Irresponsabilidade? Egoísmo? Medo da morte? Ou sabedoria? O debate foi inócuo. Puro desperdício de tempo e argumentação. Não temos domínio sobre as circunstâncias físicas e, sobretudo, mentais de nosso “pôr do sol”. Questionar atos involuntários ou situações intimistas incontroláveis, teria algum sentido? Vi que sim! A individualidade é algo precioso! Filosófico! Poético! E sim, questionável! A maturidade nos deixa mais tolerantes. Mais experientes. E até, mais serenos. Aceitamos o outro com mais facilidade. Respeitamos mais suas convicções e diferenças. De repente me dei conta de que já havia voado mais de nove horas. Nesse momento, fui surpreendida pela voz do comandante dizendo: “Atenção tripulação, preparar para pouso!”. Parei de escrever e filosofar... Mas, sempre valorizando o ser humano, suas crenças e convicções.Por mais sensatas que sejam as pessoas, sempre encontraremos reações inesperadas.

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