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Opinião

A luta dos sentimentos

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A atualidade de nossos dias revela um mundo de acentuados choques de sentimentos, de divisões políticas e de desejos de soerguimento moral. As pessoas anseiam por menos violência, pela denúncia dos embates infrutíferos e por condutas marcadas de lisura e bons princípios. Este clima se reflete também no seio das relações pessoais, existindo menos tolerância e mais desentendimentos no âmbito das amizades e no diálogo amoroso. As desavenças e desencontros transformam os laços dos afetos em ardorosos ressentimentos. O célebre pensador francês Voltaire abordou com certa ironia, as relações amargas, ao dizer ? como é duro odiar os que se gostaria de amar?. A marcha do tempo e os avanços da civilização, profetizam alguns pensadores, se movem em busca da humanização do poder e dos costumes. Uma melhor consciência da liberdade dizem os humanistas. Uma prevalência da fraternidade afirmam os homens de fé e de boa vontade. Na velha visão machadiana existiria no amor um germe de ódio. Capaz de se desenvolver após o período dos encantos iniciais. As rotinas e as divergências provocam reações ásperas e inesperadas. A natureza humana luta para não se deixar abater pelo lado ingrato das paixões. A sabedoria popular proclama ? ninguém escapa da capacidade de odiar. Um grande número de pessoas enfrenta limites e largas emoções difícieis de serem controlados, em sua convivência sentimental. Os amantes virtuosos sofrem, às vezes, injustificadas hostilidades de parceiros de índole polêmica. O ódio, lembrava Byron, seria o mais longo dos prazeres. Daí, a cega legião de seguidores. O desenvolvimento cultural e os avanços da civilização buscam corrigir os maus costumes. Ganhou notoriedade a afirmação do renomado escritor francês Emile Zola ? o ódio é sagrado. Ao vislumbrar as disputas de espaços, os desenlaces das paixões arrebatadoras e os cenários das reações extremadas. Os julgadores não oferecem razões aos que odeiam desmedidamente e não buscam alternativas para acalmar seus corações. Somente o encontro com a paz engrandece o espírito e as relações afetivas. O triunfo do diálogo e da compreensão descobrem as verdadeiras alegrias e afastam as reações inúteis. As pessoas precisam interpretar os apelos dos que amam e cultivar os gestos que convencem ao coração. Todos devem reacender as chamas dos ideais que revelam os sentimentos construtivos das amizades e aproximações.

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