Opinião
Agenda positiva
Com índice de aprovação de ínfimos 9%, segundo pesquisa Pesquisa CNI/Ibope divulgada em junho ? consequência do ajuste fiscal, inflação renitente e as denúncias de corrupção ?, o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, que mal completou seis meses, continua patinhando sem que se perceba algum sinal de calmaria. Além da crise econômica, o governo tem se mostrado fraco politicamente, com derrotas recorrentes no Congresso e uma ameaça de impeachment no ar, e também sofre com um grave problema de comunicação, já que não consegue romper o clima de pessimismo que domina o noticiário. Essa inércia já incomoda e muito seus aliados, até mesmo seu mentor, o ex-presidente Lula. Com sua experiência e seu feeling político, Lula tem recomendado à sucessora que viaje mais pelo País, a fim de mostrar as ações positivas do governo. A intensificação das visitas dos ministros aos estados também foi proposta pelo ex-presidente. Ele defende ainda que Dilma tenha mais encontros com os movimentos sociais. De fato, é preciso ultrapassar a agenda do ajuste fiscal, já devidamente encaminhado, e passar a mostrar à população que o governo tem coisas boas. Para isso é preciso uma boa política de comunicação, um maior comprometimento dos ministros e também necessário que a presidente Dilma saia do isolamento e mostre claramente que sua gestão não está paralisada. Em junho, com o lançamento do Plano Safra 2015/2016 e de programas nas áreas de infraestrutura e exportação ainda neste mês, o governo tentou impulsionar essa agenda positiva, após conseguir aprovar as polêmicas primeiras medidas do ajuste fiscal e promover cortes no Orçamento. Integram ainda esse pacote a terceira fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e o plano de financiamento para a agricultura familiar. Entretanto, o noticiário permanece dominado por notícias negativas, e o governo não conseguiu explicar à população quais os benefícios que o ajuste fiscal pode trazer no futuro. Para o cidadão, principalmente o assalariado, as medidas são apenas sinônimo de aumento do custo de vida. Enquanto torce para que ajuste produza os efeitos desejados, o governo precisa, urgentemente, romper essa inércia, melhorar sua articulação política e sua comunicação com a sociedade. O País precisa respirar novos ares.