Opinião
Os caminhos da integra��o
Em seu discurso na abertura da 48ª Cúpula do Mercosul, realizada na sexta-feira, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff destacou a importância estratégica do bloco diante do novo cenário econômico mundial. Dilma afirmou que chegou ao fim o superciclo das commodities e a economia chinesa está mudando Isso pede mudança de políticas para a retomada do crescimento, e o Mercosul é fundamental nessa estratégia. O Mercosul, sem dúvidas, proporcionou uma rápida expansão na integração econômica entre os seus países-membros. Antes da formação desse bloco, em 1991, o principal exportador de produtos para a Argentina eram os Estados Unidos, posto hoje ocupado pelo Brasil. Apesar das divergências históricas, a integração entre argentinos e brasileiros vem se intensificando cada vez mais. Com a entrada da Venezuela no bloco, abrem-se algumas oportunidades estratégicas para o campo energético, haja vista que esse país é o quinto maior exportador de petróleo do mundo e possui, atualmente, a maior reserva disponível em seu território. Apesar de ter a expressão ?mercado comum? em sua denominação, o Mercosul é, na verdade, uma União Aduaneira, que é uma área de livre comércio com uma tarifa externa comum, com uma maior redução nos tributos alfandegários. O grande desafio é construir, de fato, o mercado comum, ou seja, uma total integração e circulação livre de bens, capitais e serviços. Trata-se de missão não muito simples, pois é necessário uma maior integração das diferentes economias e um maior equilíbrio nas condições sociais dos países, tal como ocorreu na formação da comunidade europeia, a fim de se evitar problemas de ordem estrutural. O Mercosul, como área de livre comércio em formação, já produziu bons resultados comerciais e, por isso, deve continuar sendo um assunto prioritário para o governo. Se visto como mero bloco comercial, a lentidão em alcançar o estágio de união aduaneira, a persistência de exceções à área de livre comércio e a insistência de alguns países em aplicar medidas protecionistas contra os sócios podem causar certo ceticismo. Entretanto, é na sua dimensão geopolítica que se pode dizer que a constituição do bloco do Cone Sul representou um marco e um divisor de águas na história da região.