Opinião
Matem�tica da educa��o
A cidade de Cocal dos Alves, no Piauí, está listada entre as 50 com índice de desenvolvimento humano mais baixo do Brasil. Tem apenas pouco mais de 6 mil habitantes, mas se tornou referência em educação em escala mundial. Este ano, a Unidade Escolar Augustinho Brandão, da rede estadual, foi contemplada com 3 medalhas de ouro, 8 de prata e 5 de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Desde o início da competição, há 10 anos, a escola já ganhou mais de 150 medalhas e menções honrosas. Este ano, a organização da Olimpíada, que é promovida pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), prestou homenagem ao professor Antonio Cardoso do Amaral, considerado o mentor dessa revolução educacional. Amaral disse que era apenas um estudante mediano até resolver estudar matemática com afinco. A metodologia por ele adotada para entender a complexidade dos cálculos foi repassada para os alunos, e o resultado alcançou o mundo. Muitos campeões da Olimpíada têm ingressado em universidades até de outros países. A matemática, durante muito tempo, foi o terror dos estudantes do ensino fundamental e médio. Sei disso porque fui professor da matéria (ensinei também desenho), no CEPA (Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas), que congregava escolas públicas em Alagoas, no final dos anos 60 e nos primeiros anos da década seguinte. A aridez do cálculo afastava (e, de certa maneira, ainda afasta) os alunos do assunto. Como tornar, então, a matemática atrativa? Fácil, incluindo-a no cotidiano dos alunos. Uma ida ao supermercado pode servir para ensinar soma, multiplicação e até estatística; um jogo de futebol pode mostrar como calcular velocidade, trajetória e ângulos. Contudo, para tal, precisamos de professores qualificados e motivados. O exemplo do professor Amaral transcende o ofício de mestre. Não basta seguir a ementa, há que inovar. Acima de tudo, é fundamental que o preceptor se imbua de um objetivo ? no caso, formar gerações. Se inquirirmos um grupo de alunos hoje, vamos encontrar aqueles que querem se dedicar ao magistério, mas a maioria vai querer seguir carreira no ensino superior. Poucos dirão que querem ser professores do fundamental. As razões para isso são várias: baixos salários, condições precárias de trabalho e poucas possibilidades de ascensão profissional. É necessário reverter esse quadro. Além dos alunos, temos que pensar também na formação dos professores. Em tempo, temos um alagoano também medalhista da Olimpíada. Trata-se de Indiana Jhones dos Santos, de Poxim, distrito de Coruripe, que recebeu o prêmio no ano passado. Um caso raro de paciência e superação. Um exemplo a ser seguido.