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Opinião

A abertura e a narrativa hist�rica

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Em recente reportagem, a Folha de S. Paulo destacou os 25 anos de abertura da economia brasileira ao mercado mundial, em 1990. Simplificou tal acontecimento histórico realçando ?duas medidas que mudaram a vida dos brasileiros?, como o uso internacional dos cartões de crédito e o acesso do mercado aos produtos importados, como os automóveis. Era o início de meu período na chefia do Executivo brasileiro, após a memorável campanha popular de 1989, marcada pelo voto direto para presidente da República, depois de quase 30 anos de jejum democrático. Mesmo reconhecendo o mérito de meus antecessores, por terem evitado o retrocesso no processo de reabertura política, devo igualmente acentuar o fato de que recebi o comando do Brasil num quadro econômico dramático. Índices hiperinflacionários e o peso excessivo da máquina estatal, que consumia vultosos recursos do Tesouro, com inexpressiva contrapartida em favor do cidadão, contribuíam para manter o País em fogo baixo, engessado em estruturas arcaicas e impedido de atrair capitais disponíveis no mercado mundial, este em visível aceleração. Estávamos em moratória, rompidos com o sistema financeiro e de comércio internacionais. Tínhamos o Estado inchado por empresas estatais, paralisadas pela falta de capitais resultante da severa crise fiscal, e ainda sob pressão do endividamento externo. Propus então um novo caminho de inserção do Brasil no panorama internacional. Reduzi para 12 o número de ministérios e extingui dezenas de empresas e órgãos públicos desnecessários, que há muito haviam deixado de servir à sociedade. Demos o pontapé inicial para um programa de privatização, visando livrar o Estado do ônus de investir em áreas onde o setor privado já demonstrava maior eficiência. No tamanho adequado, o Estado poderia então se concentrar nas atividades em que realmente era necessário: saúde, educação, regulação econômica e infraestrutura. Nesta área, destaco a reativação da obra da Usina hidrelétrica de Xingó e, no plano educacional, a implantação nacional do programa de construção de escolas de tempo integral, notabilizadas como Centros Integrados de Atendimento à Criança-Ciacs. Orgulho-me de ter sempre apresentado superávit fiscal. Em nenhum dos meses de meu governo foi gerado qualquer tipo de déficit de execução orçamentária. Ao tempo em que determinamos uma profunda abertura da nossa economia ao comércio exterior, não descuidamos de incentivar as empresas nacionais, através do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade. Nossa proposta se diferenciou da rejeição total à presença do Estado na economia, tão bem advogada pelos neoliberais. A quebra de monopólios e de reservas de mercado, como ocorreu no setor de informática, que propiciou o avanço tecnológico e a entrada desse mundo digital ? hoje presente em nossas vidas, como os celulares e computadores ?, configurou-se numa proposta inovadora de protagonismo estatal. Se tive desacertos talvez tenha sido no relacionamento com o Congresso Nacional, contra o qual sempre me recusei a participar de aventuras intervencionistas, mesmo em plena tramitação do impeachment. Jamais temi os julgamentos dos tribunais ou da própria história. Hoje, amadurecido nesses 25 anos de combate, apresento várias realizações de apenas dois anos e meio de governo, tocando em temas que atualmente permanecem caros ao cidadão. Não as apresento para reivindicar simplesmente a autoria, mas para adensar o tecido da narrativa histórica.

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