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Nº 5728
Opinião

As festas juninas

Os festejos juninos, no Brasil, são realizados de vários estilos, dependendo dos costumes do lugar. Na maioria dos Estados se caracterizam pelas festas ao ar livre, em torno de fogueiras, onde se dançam os temas folclóricos, usando as roupas à moda caipir

Por | Edição do dia 28/07/2015 - Matéria atualizada em 28/07/2015 às 00h00

Os festejos juninos, no Brasil, são realizados de vários estilos, dependendo dos costumes do lugar. Na maioria dos Estados se caracterizam pelas festas ao ar livre, em torno de fogueiras, onde se dançam os temas folclóricos, usando as roupas à moda caipira própria de cada região. A quadrilha, baile remanescente dos salões do século 19, faz, quase sempre, parte das animações dos terreiros juninos. Mas os vários territórios têm músicas diferentes e introduzem nas animações detalhes peculiares, herdados de antepassados, que lhes acrescentam feições próprias e pitorescas. Assim no Pará são os “Banhos de Cheiro”, em Mato Grosso o “Banho de São João”, no nordeste o “Forró”. Já vivi, quando adolescente, em Cuiabá, capital de Mato Grosso que, então, era um só Estado, e tive a oportunidade de participar da Festa de São João, uma das mais importantes do lugar. Elegia-se, como em todos os festejos religiosos da cidade, um festeiro, entre as figuras mais poderosas da sociedade, o qual ficava encarregado das animações do dia. Desta feita foi o Prefeito o escolhido. Na sua residência foram realizadas a ceia e as danças. Antes dos comes e bebes os convivas, em trajes típicos, levaram o santo, em procissão noturna, para tomar o banho obrigatório nas águas do Rio Cuiabá, que corta a capital. As moças carregavam velas protegidas por um cilindro de papel grosso. As que conseguissem voltar com as mesmas acesas, deveriam casar-se nesse mesmo ano. Numa descontração e alegria os rapazes usavam todos os meios para apaga-las. De volta, os convidados compareceram a recepção na casa do festeiro. Nas mesas se sucediam as mais variadas iguarias. O Prefeito, um fazendeiro quarentão, gostava de fabricar fogos de artifício. Depois da farta ceia, começaram a soltar os fogos confeccionados pelo político: rojões, bombas ensurdecedoras, mas, também, pistolões e foguetes de grande beleza que arrancavam exclamações entusiastas da assistência. Foi quando um volumoso busca-pé, errando seu percurso, invadiu a casa repleta, percorrendo as salas e causando um enorme reboliço. Os convidados, acometidos de um pânico incontrolável, procuravam, de todas as formas, fugir daquela bola de fogo endoidecida: subiam nas cadeiras, corriam de um para outro lado esbarrando uns nos outros, velhotas histéricas desmaiavam, outras senhoras perderam os sapatos na fuga para a rua, algumas pessoas esparramaram-se no chão, todos gritavam, até que a pólvora se queimou totalmente e o busca-pé ficou imobilizado. Nunca pude esquecer a comicidade daquela noite, que me causou tanto riso, não obstante o medo que, também, senti de ser atingida por aquele louco brinquedo.

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