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Opinião

Quem tem medo da m�sica cl�ssica

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Durante muitos anos o senador Artur da Távola manteve na TV Senado um belíssimo programa onde ensinava as pessoas a conhecer música erudita. Sua apreciação inicial antes da peça ser apresentada era preciosa. Assistia-se tudo então com outros olhos e outra compreensão. A ideia do ?medo? das pessoas da música clássica fundamenta-se, principalmente na questão cultural. Alguns afirmam, categoricamente, que odeiam. Outros fazem pouco caso ou são indiferentes. Como tratar este tema com crianças entre 9 e 12 anos? Mais ainda, como conduzir a educação musical de uma criança que no seu entorno a referência é a ?Sofrência? do cantor Pablo. Ensinar a criança a diferença entre o popular e o clássico não é fácil. Primeiro, vem o conceito de clássico demonstrando que o popular cai da moda e é facilmente esquecido, o clássico, embora pareça trivial e repetitivo tem o poder de se eternizar. É preciso então falar de futebol e perguntar o que acontece na realização de um clássico no Estádio Rei Pelé. E o óbvio aparece: vai jogar o CSA e o CRB. Claro, esta é fácil. E na casa de vocês qual o alimento considerado o clássico da mesa do povo brasileiro? E a resposta vem rapidamente: o feijão com arroz. Daí fica muito mais fácil mostrar um vídeo de Carmina Burana e dizer que esta música de quase mil e duzentos anos era popular e virou clássico. Como isto acontece? É só cantar a ?Asa Branca? de Luiz Gonzaga e perguntar quantas vezes alguém já a ouviu. Muitas vezes. É quando vem a hora de perguntar a meninada sobre alguma música infantil que elas consideram um clássico, dentro deste conceito. Então o ?Atirei o Pau no Gato? aparece. O riso é geral! Quantas gerações não cantaram esta música? A Associação Comercial de Maceió está iniciando este ano o Projeto Pequenos Músicos de Jaraguá, epíteto também do Ponto de Cultura. Nasce com isso uma escola de música para crianças entre 9 e 12 anos, advindas de escolas públicas. O projeto prevê um ano de teoria e educação musical e aprendizado de flauta doce. No ano seguinte inicia-se o aprendizado de instrumentos como: violino, viola, violoncelo, Trompa, Trompete flauta transversal e outros. Serão três anos de estudo para que o aluno possa sair lendo uma partitura e tocando um instrumento. Mas queremos muito mais. Queremos criar nossa orquestra de câmara. Desejamos transformar crianças em músicos com a percepção e o entendimento de educação musical. Estamos só começando, mas com uma meta que não é audaciosa porque acreditamos no que estamos fazendo.

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