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Opinião

Assustadora semelhan�a

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O mal é eterno companheiro do homem. Acompanha-o na terra desde sua gênese, seja com Adão e Eva, com macacos evoluídos ou com qualquer outra origem que se acredite. Morte, tortura e sofrimento são o recheio predileto dos livros de história, de todas as épocas e civilizações. A maldade sempre foi distribuída de forma generosa e irrestrita, dificultando a existência, na vida real, do maniqueísmo típico das ficções. Mas eis que surge um improvável candidato a vilão universal. Um inimigo comum para que todos possam se confraternizar odiando. É O Estado Islâmico (EI). O EI não só comete as mais terríveis barbaridades, como lhes dá publicidade. Vídeos de pessoas sendo mortas das formas mais cruéis (decapitadas, afogadas, queimadas) tomam a internet e ilustram, de forma respeitosamente editada, a imprensa tradicional. O sadismo do EI pode não ser pioneiro, mas sua originalidade em assumi-lo dividiu a humanidade entre as pessoas normais, que lhe tem ojeriza, e os psicopatas que o defendem e nele até se alistam. Gostaria muito que a história terminasse aqui, mas há, infelizmente, um detalhe que não se pode ignorar. Se você olhar as fotos das execuções do EI, verá uma paisagem deserta e vazia. Como não existem simpatizantes do grupo em lugar nenhum, as chacinas acontecem sempre em lugar isolado. Mas não todas. O EI pratica apenas um tipo de execução pública. Um tipo especial onde a vítima é jogada do prédio mais alto da cidade para se espatifar no chão. Se por azar, não morrer, é apedrejado até que o desfecho aconteça. O expediente é empregado em qualquer cidade de qualquer nação onde o EI domine um território. Mas que pessoas seriam essas que, seja onde for, há sempre uma horda de populares disposta a se regorjear com sua eliminação? Que gente é essa que é mais detestada que os piores facínoras do planeta? Ganha um pirulito com as cores do arco-íris quem acertar. ?Odiamos o EI mas amamos quando fazem coisas assim?, ?Sou contra o EI mas sou totalmente a favor quando matam gays?, ?Ótimas notícias. Isso é o mínimo que os gays merecem?. Esses são os comentários que se leem nas páginas que divulgam esses vídeos. Impressão minha, ou eles soam assustadoramente familiares? Analisando pela forma de usar as redes sociais, o Iraque e o Brasil não parecem tão diferentes afinal. Nós já temos a homofobia e as decapitações, só nos falta o despudor para uni-las.

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