Opinião
O b�nus e o �nus demogr�fico
Relatório divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, no ano de 2100, a população mundial vai aumentar dos atuais 7,3 bilhões para 11,2 bilhões, mas no Brasil diminuirá dos 207 milhões atualmente para 200 milhões. De acordo com o relatório, o ?encolhimento? da população brasileira se dará a partir de 2050, motivado por taxas de natalidade mais baixas. Os números mostram que, ao contrário do que se costuma temer há algumas décadas, o País não corre nenhum risco de ter uma explosão populacional. Um maior acesso à informação e aos métodos contraceptivos fizeram as taxas de natalidade despencar. Isso pode ser visto como um fato positivo, mas também traz um grande desafio. De acordo com o IBGE, até 2018, a faixa etária de 30 a 39 anos ? a mais produtiva e consumidora ? será a maioria da população brasileira. Isso terá impacto na economia em geral, pela movimentação que o consumo de bens e serviços gera; no mercado de trabalho, pela grande oferta de mão de obra; nas previdências pública e privada, pelo aumento da arrecadação; e no mundo corporativo, já que essa parcela da população conta com profissionais experientes e que estão no auge da produtividade. É o que os especialistas chamam de ?bônus demográfico? Entretanto, é preciso infraestrutura, leis, normas e condições políticas e financeiras para aproveitar esse potencial. Atualmente, a faixa de 30 a 39 anos representa 16,4% da população total ou 33,4 milhões de brasileiros. Apesar de não ser a maioria, essa camada é a maior entre todas as outras. Uma população com esse perfil significa que, proporcionalmente, há mais gente produzindo do que pessoas dependentes desse grupo. Mas, segundo o IBGE, em 2050, cerca de 30% da população terá mais de 60 anos. E aí é preciso adotar medidas para que a Previdência Social não dependa apenas da alta de impostos para se manter. Caso contrário, o governo não terá como pagar esses futuros aposentados, pois não terá população ativa para sustentar a Previdência Além disso, a expectativa de vida, que hoje está em 75 anos, deverá alcançará 88 anos em 2100, o que demandará maior atenção a políticas públicas voltadas para a população idosa. O planejamento deve ser feito desde já para não deixar a bomba estourar na cabeça das futuras gerações.