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Opinião

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Todos os anos, desde 1945, as datas 6 e 9 de agosto são lembradas com muito pesar em todo o mundo. Elas marcam o lançamento, pelos Estados Unidos, de bombas atômicas sobre duas cidades japonesas. A primeira delas atingiu Hiroshima, no sul do Japão, na manhã do dia 6, há exatamente 70 anos. Três dias depois, foi a vez de Nagasaki. Desde então, a história da humanidade nunca mais foi a mesma. O ataque americano foi decisivo para o fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia, com a rendição do Japão. O bombardeio matou instantaneamente cerca de 80 mil pessoas e afetou seriamente a saúde de milhares de sobreviventes. A grande maioria das vítimas era formada pela população civil, que nada tinha a ver com a guerra. Naquela fase da guerra, os nazistas já haviam sido derrotados pelos aliados na Europa. Restava apenas o Japão, que ainda resistia ao cerco dos americanos. Os Estados Unidos calculavam que invadir o país asiático poderia causar a morte de aproximadamente 2 milhões de pessoas, entre americanos e japoneses, além de prolongar a guerra indefinidamente. Então, o alto comando americano acabou optando por uma solução radical, com a única arma capaz de um ataque fulminante que destruísse completamente o alvo sem causar nenhuma baixa nas tropas dos EUA. A bomba lançada em Hiroshima é até hoje a arma que mais mortes provocou em pouco tempo. Sua potência correspondia a 20 mil toneladas de dinamite. A explosão provocou um calor de cerca de 5,5 milhões de graus centígrados, gerando uma bolha de gás que subiu numa velocidade de centenas de quilômetros por hora, levando toneladas de ar e de poeira com ela, em formato de cogumelo ? a rosa radioativa, a antirrosa, estúpida e inválida do poema de Vinícius de Morais. O fato é que, após conhecerem o potencial destruidor das bombas atômicas, as potências temem se envolver em um conflito nuclear. Tanto que as bombas nunca mais foram usadas em guerras, apenas em testes, como uma forma de os países exibirem seu poder. Nas últimas décadas, até mesmo as grandes potências têm fechado acordo para reduzir seu arsenal. O perigo vem de grupos extremistas e da facilidade co que a tecnologia é compartilhada. Um novo conflito nuclear seria catastrófico para a humanidade e talvez não sobrasse ninguém para contar história nem para lamentar.

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