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Nos últimos dias, diversos setores da sociedade têm manifestado preocupação com a instabilidade política vivida atualmente pelo País, causada principalmente pelos embates entre o Planalto e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Parece haver, agora, uma compreensão de que a crise política é mais forte que a econômica, pois abala a confiança no País e retarda a retomada do crescimento. Setores empresariais, por exemplo, acreditam que a recuperação da economia brasileira deve começar a partir de junho do ano que vem, puxada por investimentos em projetos de infraestrutura. Entretanto, tudo isso pode não acontecer se o Congresso continuar aprovando medidas que aumentam despesas e põem em xeque o ajuste fiscal. Algumas reações chamam a atenção. Em editorial publicado no dia 7, o jornal ?O Globo? ? que sempre teve uma postura muito crítica em relação ao governo Dilma ? surpreendeu os observadores da política nacional e cravou posição contra o impeachment da presidente. O texto ?Manipulação do Congresso Ultrapassa Limites? chama o PSDB de ?inconsequente? e também faz críticas às ?manipulações? do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Outros grandes veículos de comunicação também passaram a rechaçar a tese do impeachment, alegando que o melhor caminho é garantir a governabilidade. Também na semana passada, presidentes das federações das Indústrias dos estados do Rio e de São Paulo manifestaram apoio à proposta de união pela governabilidade apresentada pelo vice-presidente Michel Temer. O fato é que é preciso sair, o mais rápido possível, desse ciclo do ?quanto pior, melhor?, pois, certamente, não é melhor pra ninguém. A instabilidade política vivida pelo País nos últimos meses exige das lideranças políticas responsáveis um esforço em favor de um acordo nacional, que leve à superação da crise. Há, sim, uma insatisfação popular, e o governo precisa assumir suas responsabilidades e admitir os erros que cometeu na condução da política econômica. Além disso, precisa urgentemente restabelecer sua base no Congresso, especialmente na Câmara dos Deputados. O Brasil não conseguirá vencer a crise econômica se estiver mergulhado permanentemente na crise política criada pela forma temerária como setores da oposição têm agido.

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