Opinião
Educa��o profissional
Apesar de apresentar números crescentes de adesão ? expansão de 110% nas matrículas de 2011 a 2013 no ensino técnico federal, segundo o Ministério da Educação ?, até pouco tempo a educação profissional não era vista como prioridade no Brasil. Dados do Censo da Educação de 2013 mostram que menos de 8% dos brasileiros seguem esse caminho. A taxa é baixa quando se compara com países como a França (58%) e Finlândia (50%). A média nas 34 nações mais desenvolvidas é de 35%, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A baixa adesão tem vários fatores, inclusive o preconceito. Pais da classe média geralmente incentivam mais seus filhos a irem para as universidades, apesar de, em muitos casos, o ensino técnico oferecer melhor retorno financeiro e até mesmo satisfação pessoal. Com isso, o Brasil perde pela falta da apresentação do estudo técnico desde os primeiros anos do Ensino Fundamental, o que facilita à criança descobrir seus talentos. Indiretamente, isso pode incrementar o desenvolvimento tecnológico. Hoje, não há nada nesse sentido, nem no ensino público, nem no privado. A grande falha do nosso sistema é não fazer a introdução da Educação Profissionalizante desde o início do Ensino Básico, conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases (LDB). No atual momento de desenvolvimento do País, é fundamental gerar mão de obra de nível técnico qualificada. O mercado de trabalho se ressente da falta de trabalhadores qualificados. São milhares de postos de emprego que não são preenchidos por falta de um profissional qualificado para o cargo. Cerca de 60% dos jovens que concluem o ensino médio não ingressam no ensino superior. O ensino técnico é o caminho mais curto para o mercado de trabalho com perspectivas de ingresso ao ensino superior. As mudanças do cenário educacional brasileiro, que passou a olhar com mais atenção para ensino profissionalizante, mostram que algumas rotas foram corrigidas, mas o País ainda tem um longo caminho a percorrer. Como bem observou o ministro da Educação, Renato Janine, a educação profissional é uma das políticas centrais para promover o desenvolvimento pessoal, socioeconômico e, ao mesmo tempo, acelerar o ritmo da produtividade e da competitividade.