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Nº 5731
Opinião

Uma santa na casa do pecado

Para a Igreja Católica, a peregrinação da imagem de N. Sra. Aparecida tem como principal motivo fazer um grande momento de evangelização e ação missionária. Faz parte também da festa comemorativa dos trezentos anos do encontro da santa por pescadores no R

Por | Edição do dia 18/08/2015 - Matéria atualizada em 18/08/2015 às 00h00

Para a Igreja Católica, a peregrinação da imagem de N. Sra. Aparecida tem como principal motivo fazer um grande momento de evangelização e ação missionária. Faz parte também da festa comemorativa dos trezentos anos do encontro da santa por pescadores no Rio Paraíba do Sul, em 1717. Como a nossa padroeira não escolhe lugar, é levada por líderes religiosos para situações que podem constrangê-la lá no seu real cantinho, perto de Deus: o céu. Por que levar então a santinha para a casa dos sete pecados capitais? Justamente ali, onde existe tanta incoerência e leviandade? Onde os frequentadores mudam de sigla na primeira proposta mais tentadora? Onde ética e honestidade não constam no segundo mandamento da cartilha da maioria dos “piedosos fiéis”? Coincidentemente foram eles os que mais reverenciaram a imagem da santa, olhos esbugalhados, quase saltando das pupilas. Temor do castigo, talvez! Os que construíram uma vida pública usando luvas para não deixarem impressões digitais nas trancas dos cofres que guardam os recursos da merenda escolar. O pecado capital de alguns muitos milhões sonegados da Receita Federal. O não pagamento das contribuições previdenciárias, apesar da retenção nos salários dos servidores. As maracutais na folha de pagamento usando os famosos laranjas. O pecado da avareza onde todos os benefícios giram em torno de si próprios como aumento de salários acrescidos de vantagens incalculáveis. O pecado da falta de transparência aliada à mentira e demagogia. A luxúria e apego insaciável pelo poder. Se Nossa Senhora teve uma vida tão pura, tão casta, por que então leva-la justamente para casa do pecado? Talvez porque a igreja na sua suprema sabedoria acredita no arrependimento dos incorrigíveis pecadores. O Papa Francisco, num encontro com autoridades políticas italianas, lembrou que nos tempos de Jesus, a classe dirigente havia se afastado do povo. O abandonou por ser corrupta e incapaz de enxergar além de sua ideologia. Afirmou também que “é muito difícil um corrupto voltar atrás, porque ficam presos as suas coisas. Os pecadores comuns sim, eles sentem necessidade da misericórdia do Senhor”. Que bom seria que a santa peregrina na sua longa caminhada visitando tantas casas do pecado em cada lugar por onde passar deixe uma mensagem de amor e esperança perdoando essas almas pecaminosas.

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