Opinião
A cidade que nasceu de um baile
Acabo de assinar o decreto de tombamento do Baile da Chita, em Paulo Jacinto, que agora passa a ser Patrimônio Imaterial Histórico e Cultural de Alagoas. É uma alegria para mim, como governador, homenagear a cidade que há 63 anos promove a grande festa popular. Mais que isso, é o reconhecimento do poder público a uma cidade que conquistou sua independência de forma tão criativa e solidária. O Baile da Chita nasceu da vontade daquela comunidade se emancipar. O povoado pertencia a Quebrangulo e queria autonomia para decidir seu destino e ter vida própria. A campanha de emancipação impunha despesas e era necessário arranjar dinheiro. A comunidade se mobilizou. No rescaldo das festas juninas de 1952, as costureiras aproveitaram o apelo das roupas de chita, tecido popular, barato e colorido, e trabalharam duro. No dia 22 de julho, o povoado inteiro compareceu à festa. Não havia hotel. Quem vinha de fora chegou de trem, passou a noite dançando e, no amanhecer, voltou para casa no apito do mesmo trem. Em 2 de dezembro de 1953, Paulo Jacinto enfim tornou-se município. Era a vitória do movimento de emancipação, ao som do baião que se tornou trilha sonora da festa: Rosinha de Propriá, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Banhada pelas águas do Paraíba e escudada pela Serra Grande, Paulo Jacinto tem peculiaridades que a tornam única em Alagoas. As gerações mais jovens abreviaram o nome da cidade, hoje chamada carinhosamente pelas iniciais PJ. ?Sou de Pejota?, gostam de dizer. Criaram até o próprio gentílico: são pejotenses, com muito orgulho. Outro dado curioso é que a cidade, sabe-se lá por quê, é berço de várias gerações de jornalistas que brilharam e ainda brilham nas redações de Alagoas. Quem não se lembra do saudoso Nunes Lima, grande chargista e cronista, um dos maiores incentivadores do Baile da Chita? E muitos outros mais, como Fátima Almeida, Marcelo Firmino, Clarissa Veiga, Elen Oliveira, o fotógrafo José Feitosa (que também incorpora o poeta popular Zé da Feira), todos de lá. Para mim, a particularidade mais feliz de Paulo Jacinto é que a cidade arranjou duas formas alegres e mobilizadoras para se emancipar: a música e a dança. E o que mais se devia esperar da terra de Mestre Fileu? Da cidade que viu nascer Leureny Barbosa, nossa grande dama da canção, e Zé Barros, ambos filhos de Dona Zefinha, uma das pioneiras da campanha pela emancipação? Estamos todos de parabéns. Viva o Baile da Chita, viva Paulo Jacinto, viva Alagoas de tão belas tradições!