loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Em terra estrangeira

Ouvir
Compartilhar

O Conselho Nacional para os Refugiados do Ministério da Justiça decidiu descentralizar o atendimento do órgão e desenvolver uma campanha contra preconceito aos estrangeiros. Nos últimos anos, o Brasil tem assistido ao crescimento dos pedidos de refúgio, impulsionado pelo aumento dos conflitos civis, perseguições e desastres naturais em vários países. Historicamente, o Brasilsempre recebeu os imigrantes de braços abertos, mas atualmente percebe-se um sentimento de intolerância e preconceito contra os refugidos, principalmente originários de países como Haiti, Senegal e Congo. Esses imigrantes costumam apontar a discriminação que sofrem por serem acusados de roubar o emprego dos brasileiros. Isso é ainda mais intenso num momento econômico adverso. Desde a segunda guerra mundial que o mundo não experimentava uma situação tão trágica como agora em relação ao deslocamento forçado. De acordo com a ONU, em 2014 esse fenômeno atingiu 59,5 milhões de pessoas, dos quais 19,5 milhões são refugiados. Vários fatores, como o crescimento econômico do Brasil nos últimos anos, estimularam o aumento do número de pessoas que buscam o País como refúgio. Nos últimos quatro anos, o número de refugiados praticamente dobrou, passando de 4.218, em 2011, para 8.400, em 2015. É preciso levar em conta que estão se agravando as crises humanitárias em nível mundial, o que faz crescer mais e mais o número de refugiados. Além disso, fecham-se portas de alguns países de asilo tradicionais, como os países europeus. Enquanto isso, o Brasil passou a ter destaque recente na área internacional, como sétima economia do mundo, e por ter organizado megaeventos internacionais. O grande número de africanos que buscam refúgio no País pode ser explicado pela miscigenação da população brasileira, o que leva essas pessoas a acreditar que não sofrerão preconceito. Os refugiados veem no Brasil a possibilidade de recomeçar e de viver em paz e em segurança. Por ignorância ou puro preconceito mesmo, muitos brasileiras acham que o imigrante refugiado é uma pessoa perigosa, um contraventor, um miserável e ignorante. Na verdade, muitos eram profissionais altamente capacitados, outros eram empresários bem sucedidos ou trabalhadores comuns, por isso merecem ser acolhidos e respeitados.

Relacionadas