Opinião
Os desafios da P�tria Educadora
Apenas 52% dos estados cumprem integralmente o piso nacional dos professores, com o pagamento também da hora-atividade. Em janeiro, o piso teve aumento de 13,01%. Com isso, o salário inicial passou para R$ 1.917,78. O valor é relativo ao salário inicial dos professores de escola pública, com formação de nível médio e jornada de trabalho de 40 horas semanais. A lei que estabelece o piso salarial nacional para professores é de 2008 e determina diversas obrigações municípios, estados e à União. Além de dever pagar pelo menos o valor fixado por lei para professores com formação de nível médio e jornada de 40 horas semanais, os governos devem ajustar o salário para outras jornadas de trabalho segundo o piso. Apesar do reajuste acima da inflação, atualmente o salário médio dos profissionais do magistério equivale a 72,7% da média dos demais profissionais com pelo menos 12 anos de escolaridade. Os municípios alegam dificuldades financeiras para cumprir a lei. O fato ajuda a explicar o desinteresse dos jovens pela licenciatura ? apenas 2% seguem por esse caminho. Além do desinteresse, há deficiências na formação de professores. Como resultado desse problema, a demanda por professores de física, por exemplo, é mais de dez vezes superior à capacidade de formação. Em 2013, formaram-se 1.826 professores nessa área, para uma demanda de 19.662 no mesmo período. Nem sempre, porém, o problema é a formação. É o caso da área de Educação física, que teve mais de 19 mil concluintes em 2013, número superior à demanda de 11.591 professores. Entretanto, grande parte dos que se formaram foi trabalhar em academias ou como autônomos. A baixa remuneração está colocando em risco a profissão de professor. Com a desvalorização no mercado, a carreira toma o rumo da extinção. Pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2010 apontou que apenas 2% dos quase dois mil estudantes do 3º ano do ensino médio entrevistados tinham como primeira opção no vestibular graduações diretamente relacionadas à atuação em sala de aula. É claro que apenas oferecer bons salários aos docentes não garante, por si só, a melhora na qualidade de ensino. Entretanto, os baixos salários estão entre os fatores que tornam a educação pública precária. Corrigi-los é o primeiro passo para mudar essa realidade.