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Nº 5731
Opinião

Tomaso Campanella, o bem-intencionado

Tomaso Campanella (1568-1639), poeta, filósofo e teólogo dominicano, afirmava que quando conhecemos algo, esse algo nos transforma,substituímos conceitos por outras coisas; entre seus axiomas, um adequa-se bem à crise brasileira atual, é o “ E, quanto mai

Por | Edição do dia 29/08/2015 - Matéria atualizada em 29/08/2015 às 00h00

Tomaso Campanella (1568-1639), poeta, filósofo e teólogo dominicano, afirmava que quando conhecemos algo, esse algo nos transforma,substituímos conceitos por outras coisas; entre seus axiomas, um adequa-se bem à crise brasileira atual, é o “ E, quanto mais ouço, mais ignoro”. Lembremos Lula quando eclodiu o mensalão “ Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia, e que chocam o País!”. E também recentemente, quando a sua sucessora ao ser arguida pela mídia sobre o envolvimento múltiplo de petistas no petrolão, afirmou “ Eu não imaginava, fui surpreendida. Lamento profundamente” . Campanella sobrepairava à improbabilidade da narrativa presidencial. Novamente, quando a presidente em entrevista à rádios do interior de São Paulo lamentou “ter demorado para perceber que a situação poderia ser mais grave do que imaginávamos”.Quem assiste à TV Gazeta de alagoas, lembra facilmente, uma entrevista dada pela presidente ao jornalista William Bonner,em agosto de 2014, onde ele a alertava sobre a situação nacional que prenunciava a grave crise atual :arrecadação de tributos federais em queda, inflação em alta, contas públicas sobrevivendo a custa de Refis e pedaladas. Incontáveis outros alertas severos pipocaram. A presidente negou tudo,e pintou um cenário cor de rosa, o mesmo que apresentou durante a campanha presidencial: é que existia uma eleição que precisava ser ganha, sentindo-se para tal fim,autorizada a fazer “ o diabo”, conforme suas próprias palavras naquela ocasião. Evitaram-se as medidas que precisariam ser tomadas e poderiam ter evitado a crítica situação atual nacional,dando condições para enfrentar o cenário internacional, que agora , sim, com a situação da China, é grave. O ajuste fiscal extremamente tardio, faz furos por todos os lados:financiamentos privilegiados setoriais, liberação de emendas parlamentares milionárias, e o que mais for preciso para manter o projeto. Dos 22.5 mil cargos comissionados, no máximo serão afastados 5% deles. No epicentro dessa crise um Estado pesadíssimo, onde o trabalho duro do contribuinte serve, principalmente, para alimentar seu crescente e voraz gigantismo . Mais impostos e mais crises, são, infelizmente, inevitáveis. Campanella acreditava sinceramente, que um sociedade deveria compartilhar os bens com todos.Foi a utopia usada, a qual a História mostra,ao final, beneficia apenas um pequeno grupo.

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