Opinião
E se o Z� fosse o rei?
No vale-tudo da história pela eternização do poder estava escrito naquela estrela que o ?Daniel?, nome de guerra do chefão dois no passado, seria naturalmente, no processo sucessório, o futuro dono da coroa. Em obediência às regras do jogo, o rei se destronaria por um tempo, cedendo lugar para o príncipe herdeiro, amigo fiel de todas as horas. Aluno exemplar do comandante em Cuba, nos anos setenta fez curso de guerrilhas no chamado III Exército da ALN (Aliança Libertadora Nacional) ou ?Grupo da Ilha? ou ainda ?Grupo Primavera?. Homem da mais restrita confiança da majestade que por dois reinados governou sua gente. O ?Daniel? que ostentou múltiplas identidades também atendia por ?Carlos Henrique Gouveia de Melo?, quando guerrilheiro. Inquestionavelmente, a sucessão passaria por ele. O ousado projeto de domínio do poder ambicionava, pelo menos, trinta anos de comando. Triunfante, banhado em ouro, o ?Brahma? voltaria tempos depois para mais uma temporada de doação plena à pobreza, paixão irrefutável pelos quarenta milhões de miseráveis por ele amados! Quis o destino, porém, que o plano não se confirmasse. Assim como no paraíso, Adão não resistiu à tentação do fruto proibido, o Zé, agora com o seu nome verdadeiro, o rei sucessor na hierarquia, chafurdou-se na lama, lambuzou-se de pecado, foi expulso dos jardins celestiais para ser punido pelos rigores da lei dos homens. Perdeu o trono, as nuvens desabaram sobre sua cabeça e de repente passou a ver a estrela num formato diferente: quadrada. No entanto, o velho rei não se deu por vencido. Encontrou na Rainha da Mandioca todos os predicados necessários para comandar os destinos da nação. Foi enfático ao apresentar as razões pela sua sábia escolha: ?Quando a escolhi para ser candidata, eu não estava escolhendo apenas uma amiga, é porque na hora de escolher alguém para dirigir um barco desse tamanho, a gente não escolhe por amizade, mas por competência?. O barco continua à deriva, desgovernado, longe de encontrar um porto seguro. E se o Zé fosse o rei, como estaria hoje essa ?monarquia?? Teríamos liberdades democráticas? Como seria tratada a imprensa? O delator do mensalão Roberto Jefferson disse que se o cara fosse o presidente, ?isso aqui já seria a Venezuela?. Será que nos seria dado o direito de pelo menos comprar papel higiênico?