Opinião
Balan�o necess�rio
Em tempos de estagnação econômica e de recursos escassos, um caminho que o governo deveria trilhar é analisar, a partir do ajuste fiscal, a eficiência dos investimentos em áreas estratégicas, como educação e saúde. O País deveria aproveitar a crise para fazer um grande balanço sobre como estão sendo gastos os recursos públicos. Avaliar políticas públicas permite combater o desperdício e torna mais eficiente o gasto público, além de agregar transparência à administração e representar mais respeito aos cidadãos, que pagam os tributos. Parece ser consenso que o Brasil gasta mal o dinheiro arrecadado com os tributos. Isso se deve a fatores como a falta de planejamento, a corrupção ou o desperdício. É urgente, pois, eliminar esses gargalos para que o cidadão tenha o retorno de tudo aquilo que dele é recolhido. No caso da educação, é preciso preservar os investimentos na área, mesmo num momento difícil com este pelo qual o País passa. Afinal, é a educação que garante a construção do futuro. É preciso, por exemplo, profissionalizar a gestão nas escolas, para que os gastos sejam mais adequados às necessidades e aos princípios da eficiência. Grande parte dos gestores de estabelecimentos de ensino não têm capacitação adequada para a tarefa. Enquanto isso, há professores que recebem formação ainda inadequada para o magistério e outros mais experientes para a gestão escolar, muitas vezes sem nenhuma preparação para o desempenho da profissão. Pesquisas mostram que o papel do diretor de escola é decisivo para se criar uma ambiência escolar favorável à aprendizagem e garantir o direito a aprender das crianças. Sabe-se que mais recursos não significam necessariamente a prestação de um serviço melhor. Assim como na educação, o governo destina uma grande volume de recursos para a saúde. Esses dois setores, entretanto, continuam sendo alvo de grande insatisfação popular. O que é necessário, portanto, nesses dois casos citados, é aumentar a eficiência desses gastos e da gestão das escolas e hospitais públicos. Precisamos de uma verdadeira revolução de gerência do setor público brasileiro. O gestor público precisa estar dotado de instrumentos que possam aumentar a eficiência da gestão. E num período de vacas magras como este, isso se torna ainda mais urgente.