Opinião
Milagre e perd�o
O milagre não pode ser explicado através do raciocínio lógico ou do conhecimento científico vigente. Alguns acontecimentos (?milagres) relatados nas Sagradas Escrituras, especificamente no Velho Testamento, não resistem a uma análise mais acurada. É o caso, por exemplo, do ?milagre? da travessia do povo hebreu, a pés enxutos, no Mar Vermelho. Escravizados no Egito, os hebreus, liderados por Moisés, foram perseguidos pelos opressores. Narra o texto que o exército egípcio não conseguiu atravessar o Mar Vermelho com a facilidade propiciada aos trânsfugas. É que Deus segurara os paredões de mar enquanto o ?povo escolhido? passava. Os perseguidores não teriam tido a mesma colher de chá: tão logo o último hebreu alcançou o lado oposto, Jeová acabou a brincadeira. Soltou as águas e boa parte do exército do faraó morreria afogada. É uma linda história azedada pela ciência, que nega a interferência divina. A explicação seria pelo simples fenômeno das marés. Vazante para os hebreus e enchente para os egípcios. Sem pretender alongar-me por absoluta falta de argumentos, ouso estender-me ao terreno das ?curas? (onde tenho certa experiência): as divinas não são lentas. Com efeito, o Novo Testamento descreve algumas bem marcantes. A cura das cegueiras é algo de fantástico. Mas a que mais me impressiona é a cura dos leprosos. Ora, direis, o ?Homem? tirou pessoas do reino de Hades (inclusive seu amigo Lázaro) e você vem citar prosaicas lepras? Sim, o que me impressiona nesse relato não é a cura em si, mas a ingratidão humana (que também não surpreende). A grande surpresa é a fala ?magoada? de Jesus ao único que retornou para agradecer: ?Mas, não eram dez...?? Até parece que Ele não conhecia a qualidade do barro que nos gerou. Nossa Senhora dos Prazeres também demonstra toda sua força, seu prestígio com o Pai Celestial. Se havia alguém que duvidasse dos seus poderes que vá tirando o cavalinho da chuva. Certamente, todas as pessoas que têm o hábito de ler jornal viram um texto, como diria, de mea culpa. Incrível. Vejam a força de Maria. Com efeito, nossa mãe do Céu (não pode ser outro/a) deve ter obrado divinamente na cabeça do articulista sempre tão radical, que nunca havia admitido os ?malfeitos? dos companheiros. Finalmente, reconheceu que seu partido é uma vergonha. O melhor de tudo é que Deus perdoa sempre.