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Nº 5730
Opinião

Os filhos da guerra

As imagens do corpo do menino Aylan Kurdi, de três anos – que morreu sobre a areia de uma praia na Turquia, após o barco em que estava com a família ter naufragado ao tentar chegar à Grécia – chocaram o mundo e se tornaram símbolo do drama dos refugiados

Por | Edição do dia 06/09/2015 - Matéria atualizada em 06/09/2015 às 00h00

As imagens do corpo do menino Aylan Kurdi, de três anos – que morreu sobre a areia de uma praia na Turquia, após o barco em que estava com a família ter naufragado ao tentar chegar à Grécia – chocaram o mundo e se tornaram símbolo do drama dos refugiados sírios. São milhares de pessoas fugindo de uma guerra que já dura quatro anos e deixou até agora 240 mil mortos, 7,4 milhões de deslocados internos e cerca de 4 milhões de refugiados, a maioria abrigada nos vizinhos Líbano, Turquia e Jordânia. Ocorre que a capacidade de esses três países acolherem generosamente as famílias que fogem da guerra está chegando ao limite. Há, atualmente, 1,2 milhão de refugiados sírios no Líbano, país que tem 4 milhões de habitantes. Hoje há mais crianças sírias na escola primária do que crianças libanesas. Diante desse limite, os sírios tomaram a decisão desesperada de chegar à Europa, a qualquer custo, pelo mar. Desde o início do ano, 293.000 migrantes e refugiados tentaram chegar à Europa através do Mediterrâneo e 2.440 morreram durante o percurso, como o pequeno Aylan. A União Europeia, por sua vez, está lidando com sérias dificuldades e resistindo a ajudar. Enquanto isso, 2.077 sírios receberam asilo do governo brasileiro de 2011 até agosto deste ano. Trata-se da nacionalidade com mais refugiados reconhecidos no Brasil, à frente da angolana e da congolesa. No meio ao drama dos refugiados, uma voz calma e lúcida se fez ouvir na semana passada. Não foi a de nenhum líder político, europeu ou outro, mas sim a de um rapaz sírio de 13 anos, de nome Kinan. Encontrado pela primeira vez por uma equipe de repórteres da rede de TV Al Jazira tentando chegar à Alemanha, ele disse num tom ponderado e calmo: “A minha mensagem é: por favor, ajudem os sírios. Os sírios precisam de ajuda já. Parem simplesmente com a guerra, nós não queremos ir para a Europa. Parem a guerra na Síria, apenas isso”. O jovem Kinan disse aquilo que para muitos é óbvio: ama seu país e gostaria de permanecer nele, mas as circunstâncias atuais não permitem de forma alguma. Parece simples o que ele pede, mas não é. Além da solidariedade àqueles que fugiram dos horrores da guerra, os líderes mundiais deveriam esforçar-se para pôr fim de vez a essa tragédia humanitária.

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