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Nº 5729
Opinião

Turismo com cultura

Para que fique claro ao leitor, o turismo sem cultura é o turismo de mar e lagoa. Aquele que explora apenas as belezas naturais com uma infraestrutura montada em torno da atração. A bem da verdade, este é o turismo que é vendido fora de Alagoas. Um turism

Por | Edição do dia 09/09/2015 - Matéria atualizada em 09/09/2015 às 00h00

Para que fique claro ao leitor, o turismo sem cultura é o turismo de mar e lagoa. Aquele que explora apenas as belezas naturais com uma infraestrutura montada em torno da atração. A bem da verdade, este é o turismo que é vendido fora de Alagoas. Um turismo que não tem compromisso com a cidade, com sua arte, seu artesanato e seus equipamentos culturais. E, quando nos referimos a cultura, enxergamos desde a gastronomia até as manifestações folclóricas. Nesse universo, Maceió é apenas um dormitório, onde o turista ao acordar encontra um ônibus parado na porta do hotel pronto a levá-lo a ver água. Assim, quando ele retorna para a sua cidade, sua maior lembrança é o sol e o mar. No último dia 16, estive com artesãos do Pontal da Barra, onde fui convidado pela Secretaria Municipal de Turismo para fazer uma palestra sobre o Corredor Cultural. Não foi surpresa ouvir daquelas pessoas trabalhadoras e empenhadas com sua arte que os ônibus chegam lá com um tempo reduzidíssimo e os turistas mal podem olhar alguma coisa. A gestão municipal do turismo tem andado pelo caminho das pedras para capacitar pessoas diretamente ligadas ao setor. Com isso, tem procurado dar a importância devida que a cultura tem para a região. Mas não é fácil competir com o mar e as lagoas. E competir nem deveria ser a palavra mais adequada. Belezas naturais e cultura devem fazer parte naturalmente da oferta turística. O que se precisa fazer para isto acontecer? A riqueza cultural de uma região pode ser um grande atrativo no cenário turístico se for bem explorada. Não é preciso apresentar exemplos. Mas um calendário bem feito, dos eventos do ano inteiro, já ajuda. É aí que o caminho, por onde esse público passa, representa um dos itens mais importantes. É como uma mesa servida com todos os pratos apetitosamente dispostos. Não adiantará o trabalho profícuo da Semptur se a rota continuar a mesma. E não esquecendo que algumas cidades alagoanas que têm vocação turística também ficam fora da rota mar e lagoa. Penedo, por exemplo, é preterida pela foz do São Francisco, assim como Marechal Deodoro pela Praia do Francês e Barra de São Miguel. Mas existem outras, que pela distância um pouco maior ninguém nem fala. Venho dizendo há anos que existe um divórcio entre a Cultura e o Turismo. Os dois setores deveriam trabalhar como uma pasta única, um paralelo de ações para atrair o visitante. Mudar esse contexto, quase um paradigma, não é difícil, requer apenas uma gestão compartilhada.

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