Opinião
Ciclo da viol�ncia
Uma pesquisa realizada pelo DataSenado revelou que 18% das mulheres entrevistadas já foram vítimas de algum tipo de violência doméstica. O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o aumento da violência contra mulheres mais jovens. Em 2009, ano em que foi feita a primeira pesquisa, 46% das mulheres agredidas disseram ter sofrido a primeira agressão com idade entre 20 e 29 anos, em 2013, o índice caiu para 34%, mantendo-se estável na pesquisa seguinte, feita em 2015. Por outro lado, na faixa até 19 anos, o percentual subiu de 24%, em 2009, para 32%, permanecendo estável desde 2013. Segundo o DataSenado, as agressões têm sido cada vez menos praticadas por companheiros, maridos ou namorados. Em 2009, 81% das agressões a mulheres eram cometidas por seus parceiros. O número caiu para 78% em 2013 e agora está em 73%. A violência que mais cresce é a das ruas ? nos metrôs, ônibus, universidades, ruas, bares, boates. Outro aspecto revelado pelo levantamento é em relação à educação. Quanto menos escolaridade, mais difícil é romper o ciclo da violência. A maioria das mulheres violentadas ? e vítimas de violência doméstica, principalmente ? tem baixa escolaridade. As que têm apenas ensino fundamental são mais de um terço das vítimas. Ainda de acordo com a pesquisa, 12% das mulheres com ensino superior já sofreram alguma agressão. O índice sobe para 18%, entre as mulheres com ensino médio, e para 27% entre as que estudaram até o ensino fundamental. Uma em cada cinco mulheres não fez nada ao ser agredida, 20% buscaram apoio da família, 17% formalizaram denúncia em delegacia comum e 11% denunciaram em delegacia da mulher. Entre os principais motivos para não denunciar os agressores, as vítimas alegaram a preocupação com a criação dos filhos (24%), o medo de vingança do agressor (21%) e o fato de acreditar que aquela seria a última vez (16%). A crença na impunidade do agressor e a vergonha da agressão foram citadas por 10% e 7%, respectivamente. Em oito anos, a Lei Maria da Penha diminuiu em 10% os homicídios de mulheres. A lei foi um grande passo, mas é preciso ir além. O combate à violência doméstica deve começar na escola, na família, na comunidade, no ambiente de trabalho, nas ruas. Quebrar esse ciclo de violência é um processo que demanda tempo.