loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

As armas da disc�rdia

Ouvir
Compartilhar

Ao transmitir suas condolências às famílias das vítimas da ação de mais um atirador, desta vez em uma universidade do Oregon, o presidente Barack Obama acusou os Estados Unidos de terem ficado insensíveis diante desse tipo de acontecimento. Obama ? lembrando as chacinas ocorridas em Sandy Hook, Columbine, Virginia Tech, Aurora, Tucson e Charleston ? convidou a população a refletir sobre como fazer com que os políticos implementem uma regulamentação definitiva do porte de armas. Apesar dos apelos do presidente e da comoção gerada por mais uma chacina, analistas não vislumbram nenhuma possibilidade de adoção de leis mais rígidas sobre o porte de armas nos Estados Unidos. Lá, o direito de portar armas é garantido pela Segunda Emenda da Constituição. Parte de um trio de emendas classificadas como ?guardiãs da liberdade?, ela foi aprovada em 1791, 25 anos depois da promulgação do documento principal. Sua inclusão foi justificada fortemente pelo contexto da época: os americanos ainda estavam traumatizados pela Guerra de Independência contra a Grã-Bretanha (1775-83), durante a qual as tropas britânicas promoveram um grande confisco de armas para minar os esforços rebeldes. O lobby pró-armas é hoje um dos grupos mais poderosos da política americana. A mais popular organização do gênero, a National Rifle Association (NRA), conta com mais de 3 milhões de associados, incluindo celebridades como atletas e atores. No Brasil, o controle de armas também é objeto de polêmica e intensos debates, tanto no meio político quanto no dia a dia do cidadão. No momento, a chamada ?bancada da bala? no Congresso Nacional tenta aprovar um projeto de lei que, na prática, revoga o Estatuto do Desarmamento, ao relaxar as normas para a posse e o porte de armas. O argumento é que o controle de armas só atinge o cidadão de bem e beneficia os bandidos. Os defensores do Estatuto, porém, dizem que a lei não acabou com o direito de o cidadão ter arma, apenas criou critérios mais rígidos. De fato, o assunto é polêmico e as opiniões muitas vezes têm um forte fator emocional. Se por um lado não se pode negar ao cidadão o direito sua vida, sua família e seus bens, por outro afrouxar o controle de armas é uma medida no mínimo imprudente. É preciso buscar o equilíbrio.

Relacionadas