Opinião
Pensamentos sobre a morte crist�
Penso em minha Mãe, Tereza, que no dia 2 passado morreu em Cristo... No Batismo, fora mergulhada no Espírito como Vida nova e eterna, dado por meio da água. Batizada, tornou-se membro de Cristo, do Seu Corpo, que é a Igreja; fora enxertada Nele, no Ressuscitado, Vencedor da Morte! Como todo cristão que vive em Cristo, seu ambiente vital era a Vida, era a potência do Ressuscitado. Como recordam as Escrituras: o mundo não conhece nem reconhece tal realidade, mas já somos realmente filhos no Filho, pois recebemos o Espírito do Filho que clama em nós Abbá-Pai. Depois, com a Unção crismal, novamente recebeu o Espírito do Cristo Senhor, desta vez como Espírito de força, para edificar a Igreja na missão de esposa, mãe e profissional que o Senhor Deus lhe reservara. E, graça das graças, dominicalmente, foi, pouco a pouco, mais e mais, unindo-se ao seu Senhor imolado e ressuscitado, cheio de Espírito Santo no Corpo e no Sangue eucarísticos do Cordeiro bendito... ?Quem come a Minha Carne, quem bebe o Meu Sangue, come e bebe o Meu Espírito, que é Vida Eterna, Vida divina... E Eu o ressuscitarei! Ainda que morra, viverá por Mim! Quem come de Mim, viverá por Mim!? E minha Mãe, quantas vezes renovou a graça da filiação batismal e da incorporação ao Corpo de Cristo, que é a Igreja, no sacramento da Penitência, recebendo o Espírito de Cristo para a remissão dos pecados... Jovem ainda, trouxe o seu amor de mulher, amor por seu escolhido, para que fosse transfigurado e ungido pelo Espírito no matrimônio como sacramento, sinal eficaz e profético no mundo, do amor entre o Cristo-Esposo e a Igreja-Esposa. Finalmente, doente, recebeu a Unção dos Enfermos, que pela oração da Igreja e a unção com o óleo que dá o Espírito como consolo é sustento na enfermidade. Recebeu, então, a graça de completar na sua carne mortal o que faltou existencialmente dos padecimentos do Cristo Jesus. Assim é o caminho do cristão, de cada cristão: a Vida de Cristo, que é o Santo Espírito vai, pouco a pouco, transfigurando as mortes e vivências deste caminho no mundo em Vida Eterna, Vida de Cristo, Vida em Cristo. Mamãe ? cada cristão, eu, você ? foi sendo cristificado no Espírito, até o alinhavo final, quando o Senhor, na Sua imensa misericórdia, no momento da nossa morte natural, chama-nos a Si: ?Vive para que Eu continue a amar-te! Vive, porque te criei para que vivas em Mim, sendo por Mim amada e amando-Me para todo sempre!?. Vemos a morte de fora, vemos a casca... Não vemos a morte por dentro: é um mistério! Somente Aquele que morreu e ressuscitou e tem as chaves da Morte e do Abismo pode nos garantir que esse momento da saída deste mundo não é uma tragédia, mas a passagem deste mundo para o Pai, desta vida precária e deficitária (bios, psiché) para Vida plena totalmente divinizada (zoé). Assim, para o cristão, a morte é o momento mais solene e bendito da existência: é a sua entrada no Definitivo de Deus, na Plenitude da Glória. Assim, como consola, como emociona, como serena, repetir o refrão do Salmo 22/23, que a Liturgia Santa da Mãe católica coloca nos nossos lábios para que digamos quase que em nome de quem partiu: ?Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei: estais comigo!?.