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Opinião

A hora da verdade

Por mais que se questionem as posições das agências de avaliação de risco – que falharam durante o estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos em 2008 – não se pode negar que o rebaixamento do Brasil anunciado na semana passada pela Standard & Poor’s

Por | Edição do dia 13/09/2015 - Matéria atualizada em 13/09/2015 às 00h00

Por mais que se questionem as posições das agências de avaliação de risco – que falharam durante o estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos em 2008 – não se pode negar que o rebaixamento do Brasil anunciado na semana passada pela Standard & Poor’s foi mais um duro golpe para a combalida economia brasileira. Afinal, as agências são usadas como referência para chancelar investimentos seguros em todo o mundo e perder o grau de investimento significa maior dificuldade de obter crédito lá fora em condições mais favoráveis. A bola do rebaixamento já vinha sendo cantada havia algum tempo, em decorrência da deterioração das contas públicos, resultado não apenas da conjuntura externa – queda do preço das commodities –, mas também de alguns equívocos e hesitações que o governo vem cometendo ao longo desses últimos anos no enfrentamento da crise econômica. Para completar, a crise política levou à descoordenação na área econômica. Parece não haver coesão na equipe, o que tem levado a constantes recuos e a um clima de muita instabilidade. Certamente vai demorar ainda um bom tempo para o País recuperar a condição de grau de investimento. Preocupa mais ainda a percepção de que o Planalto parece tentado a apelar para a receita fácil de sempre, que é aumentar impostos. Trata-se de uma medida que, aliada ao aumento de juros, provoca o crescimento da dívida pública, recessão, desemprego e prejudica diretamente o setor produtivo e os trabalhadores. O rebaixamento da nota de crédito do Brasil precisar servir como uma oportunidade para o governo implementar um trabalho de reengenharia da máquina administrativa. Não há como negar que os governos – municipais, estaduais e federal – possuem uma estrutura pesada e ineficiente, que não cabe no PIB. É a velha história do cobertor curto: cobre-se de um lado, mas descobre-se de outro, pois o tamanho do Estado não cabe no PIB. É preciso, pois, fazer as reformas estruturais, dar eficiência ao gasto público e retomar o crescimento. Outro questão urgente a enfrentar é a injusta tributação no País, pois, atualmente, os 10% mais pobres tem 32% de sua renda comprometida com impostos, enquanto os 0,3% muito ricos, com renda anual declarada superior a R$ 4,5 milhões, contribuem com apenas 6% de sua renda.

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