Opinião
Fil�sofo am�vel da transpar�ncia
Em meados do século passado, havia lojas de nosso comércio que adotavam slogans interessantes, mesmo com o marketing publicitário ainda incipiente entre nós. A Loja Philips, do patriarca dos Santos das Casas Guido, hoje Lojas Guido, senhor Faustino, usava uma criação do compositor, escritor, radialista e também publicitário, Edécio Lopes, que dizia: ?A loja que tem Philips até no nome?. Para a Guido, fez: ?Quem compara, compra na Casa Guido?. Edécio Lopes, esse grande alagoano por adoção, tanto por ele como por nós, que neste primeiro de setembro completaria 82 anos de nascimento. Mas existiam outros slogans que fizeram parte de nosso dia a dia. ?A Principal, uma loja de modas que não é e não tem filial?. ?Sapataria Torres: A torre de vigilância contra os preços altos?. Uma outra trazia mensagem, talvez criada pelo seu próprio dono, que deixava transparecer sua especialidade em toda a sua essência: ?Vidraçaria Paulo Dias, do filósofo amável da transparência?. O que me fez lembrar Paulo Dias foi ver, de repente, o governo petista de dona Dilma transmudar-se e, ?como nunca antes neste País?, especialmente nos últimos anos, começar a falar em transparência. Useira e vezeira da opacidade em suas mensagens, principalmente durante a última campanha, a incompetente ocupante da presidência resolve(?), com seus asseclas, impudicamente, colocar no colo do Congresso Nacional e de toda população brasileira um duvidoso orçamento. A tal transparência de que tanto falam é para dar-lhes o direito de burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal, arduamente combatida e não votada pelos petistas na época. Querem um passe livre para continuar com a costumeira ?Irresponsabilidade Fiscal?, pois, há poucos dias, tentaram o retorno da CPMF afirmando sua necessidade para cobrir um rombo orçamentário de 81,5 bilhões de reais. Com o insucesso da empreitada e para não apresentar peça orçamentária com tamanho rombo para apreciação do Congresso sem uma receita prevista, num fim de semana diminuíram o deficit para 30 bilhões, sabedores de que o hímen financeiro pode ser complacente e abusarem posteriormente. Transparência é trazer as mazelas que seu governo deve esconder nesse orçamento, cortando despesas, sem forçar um aumento de receita, servente apenas para gáudio de seu partido e sacrifício nosso. Diferentemente de Paulo Dias, a presidente nem é amável, nem filósofa da transparência.