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Nº 5732
Opinião

Por uma emancipa��o de fato de de direito

Há exatamente 198 anos, um decreto do então rei de Portugal D. João VI tornou a Província das Alagoas independente da Capitania de Pernambuco. A tese corrente entre grande número de historiadores e professores é a de que o desmembramento teria sido uma fo

Por | Edição do dia 16/09/2015 - Matéria atualizada em 16/09/2015 às 00h00

Há exatamente 198 anos, um decreto do então rei de Portugal D. João VI tornou a Província das Alagoas independente da Capitania de Pernambuco. A tese corrente entre grande número de historiadores e professores é a de que o desmembramento teria sido uma forma de punição da Coroa a Pernambuco, por causa da revolução que resultou na Insurreição Pernambucana, e um prêmio a Alagoas por não ter aderido ao movimento republicano. Entretanto, não se pode deixar de ressaltar que estágio de desenvolvimento da região de Alagoas nessa época. Tratava-se de uma das economias mais dinâmicas e organizadas de todo o Nordeste. Isso permitiu o desenvolvimento social e cultural da população, o que certamente influi na decisão do monarca de emancipar a pequena província no dia 16 de setembro de 1817. Nesses quase 200 anos de história, diretamente e indiretamente, mesmo sendo um dos menores Estados do País, Alagoas sempre teve papel relevante na história política nacional. Daqui saíram três presidentes da República, entre eles os dois marechais que consolidaram o regime republicano. O Estado também foi palco da história de Calabar, em Porto Calvo, da resistência quilombola de Zumbi dos Palmares e também é berço de grandes intelectuais, como Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, Artur Ramos, Nise da Silveira, Aurélio Buarque de Holanda e Lêdo Ivo. Por outro lado, terra de grandes contrastes, Alagoas acabou perdendo o “bonde do desenvolvimento” econômico nas últimas décadas. No início dos anos 70, o Estado era tido como o “filé” do Nordeste, mas, aos poucos, começou a ostentar os piores indicadores sociais do País. Faltando apenas dois anos para completar o bicentenário da sua emancipação, Alagoas ainda está presa a indicadores sociais e econômicos atrasados em pelo menos duas décadas em relação à média nacional. Do filé, sobraram apenas os ossos. A emancipação alagoana é, por enquanto, apenas institucional, formal. O Estado continua extremamente dependente da União e incapaz de caminhar com as próprias pernas.É preciso, pois, transformar essa autonomia numa emancipação de fato, e não apenas de direito, para que o Estado possa vencer as dificuldades estruturais e melhorar as condições de vida de sua população.

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