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Os bispos de d. Bosco II

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Ao bispo-mártir mons. Luiz Fransoni, sucedeu mons. Alexandre Ottaviano Riccardi, dos Condes de Netro. Nascido em 1808, fora capelão da Corte, cônego da Catedral e bispo de Savona em 1842. Dizem as Memórias Biográficas de d. Bosco, que ele tinha por característica a bondade. Tão amado em sua primeira diocese, Savona, havia chorado ao pensamento de deixá-la. Suplicara ao papa e ao rei para não vir para Turim, mas foi inútil. Teve que assumir a nova cruz. Era grande admirador e amigo de d. Bosco. Apenas eleito, visitou d. Bosco em Roma, que lhe retribuiu a visita. O prelado expôs ao santo muitos de seus projetos e pensava em confiar-lhe a direção dos seminários menores de Giaveno e Bra e do Seminário Maior de Chieri. Punha nele toda sua confiança na formação do jovem clero. Ao despedir-se, disse estas palavras, que dom Bosco guardou com afeto: ?Conte também comigo em qualquer coisa. Quero ser um seu afeiçoado amigo!?. Dom Bosco voltou a Turim, com a firme esperança de ter reencontrado o protetor, que perdera com a morte de mons. Fransoni. Como se enganaria... Chegando a Turim, o novo arcebispo hospedou-se na casa de seu irmão e, no dia seguinte, vestido de simples padre, fez questão de vir ao Oratório visitar d. Bosco. Não o encontrando, após uma boa espera, deixou um recado. Dom Bosco, realmente comovido com tanta gentileza, logo no dia seguinte, foi ao Palácio dos Condes de Netro. Acolhido com grandes festas pelo arcebispo, os dois conversaram bastante sobre vários assuntos da Igreja. No final, d. Bosco disse a mons. Riccardi: ?Vossa Excelência pode me ajudar muito num assunto importante, que tenho em mãos.? - ?Imagine se não o quero ajudar; com todo o prazer? ? respondeu o monsenhor. E d. Bosco prosseguiu: ?Trata-se de uma congregação religiosa que estou iniciando...?. O arcebispo exclamou, espantado: ?O senhor está fundando uma congregação religiosa??, e ficou como que atônito ante essa notícia, inteiramente nova para ele. Contava com d. Bosco para obras diocesanas e inteiramente dependentes dele e nunca imaginara que d. Bosco pensasse em fundar uma sociedade de âmbito mundial, com aprovação pontifícia. D. Bosco tentou explicar-lhe todos os passos de sua trajetória e as dificuldades do momento. Mas mons. Riccardi encerrou seco: ?Eu pensava em contar com o senhor, totalmente, em minha diocese e que nos ajudaríamos mutuamente...?. E, como quem sofre uma terrível decepção, despediu dom Bosco friamente. Essa frieza inicial só foi se agravando com o tempo e não faltou quem colocasse no coração do santo prelado suspeitas e desconfianças contra d. Bosco e sua obra. No dia seguinte à sua posse solene, a que d. Bosco e todos os padres e clérigos do Oratório compareceram, o santo foi visitar o arcebispo, acompanhado de d. Cagliero (mais tarde, lº bispo e 1º cardeal salesiano). D. Bosco ia dizendo que queria recomendar à congregação incipiente a proteção de monsenhor, que tudo faria combinando com ele, que seu desejo era contentá-lo em tudo, etc. etc. E Riccardi respondia sempre com monossílabos: ?Tudo bem, tudo bem...?. No final, disse algo assustador: ?Fique tranqüilo, que não vou fazer-lhe guerra!?. D. Cagliero saiu da audiência impressionadíssimo com essa última expressão. Não obstante isso, muitas vezes veio ao Oratório de d. Bosco presidir solenes funções pontificais, sempre contente e acolhido com todo o carinho e atenção, como o Santo queria que se tratassem os bispos, especialmente o diocesano. Finalmente, a 1º de março de 1869, a congregação era aprovada em Roma e se tornava de direito pontifício. O sucessor de mons. Riccardi foi mons. Lourenço Gastaldi, que fora bispo em Saluzzo. Em Roma, trabalhou com o bispo de Alba para a aprovação pontifícia da Congregação Salesiana. Visitando d. Bosco, logo após sua ordenação episcopal realizada em Turim, o santo lhe fez dois pedidos: que sempre protegesse aquela casa e, toda vez que viesse a Turim, visitasse o Oratório. Gastaldi respondeu que a primeira coisa ele lhe prometia de todo o coração, porque sempre havia amado muito aquele Instituto. A segunda não podia prometer, mas o faria sempre que pudesse. Os fatos (como veremos) vão desmentir a primeira promessa... (*) É O ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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