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Opinião

Orgulho de ser alagoano

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Neste setembro em que se comemora a emancipação política do nosso Estado, é impossível não pensar no quanto há para nos orgulharmos de sermos alagoanos, filhos dessa terra do sururu e do peixe, dos canaviais e do fumo, do mar e das lagoas, das praias de São Miguel dos Milagres, Maragogi, Barra de São Miguel, Francês e Paripueira ? para citar apenas as mais conhecidas, que fervilham de gente bonita e alegre, energizada pelo sol generoso que nos abençoa nesse pedaço de paraíso. Alagoas dos bichos de madeira de Manoel da Marinheira, dos bonecos de barro de Irinéia do Muquém, da mobília de Fernando da Ilha do Ferro, da pintura nervosa de Pierre Chalita, das esculturas em aço de Marta Arruda, dos quadros lúdicos de Lula Nogueira, da vastíssima coleção de arte popular de Tânia de Maya Pedrosa. Como não lembrar dos poemas de Lêdo Ivo e Jorge de Lima, dos romances de Graciliano Ramos, da ciência jurídica de Pontes de Miranda, da sociologia de Arthur Ramos, do piano de Joel Bello Soares, do jornalismo de Costa Rêgo, da psiquiatria de Nise da Silveira, da regência do maestro Florentino Dias, da moda de Vera Arruda e Martha Medeiros, da teologia de Dom Avelar Brandão? Fechamos os olhos, e as músicas de Djavan inundam o nosso pensamento, embaladas pelos instrumentos inusitados de Hermeto Paschoal. Sentamos à mesa, e os quitutes das Irmãs Rocha nos impelem ao pecado da gula, doce tentação da qual nem tentamos escapar. Alagoas se entrega inteira aos nossos sentidos, fonte dadivosa que sacia a nossa sede de beleza e de sabores. Faço coro ao saudoso Aldemar Paiva: ?Alagoas tem joias tão raras, que meus olhos não cansam de olhar?. No forró de Eliezer Setton reencontramos as nossas raízes, no canto de Leureny Barbosa sentimos afagada a nossa alma, na voz de Floracy Cavalcante reconhecemos a nossa própria identidade. O sax de Everaldo Borges e Almir Medeiros, o violão de Gilberto Simplício, a guitarra de Fleury, a percussão de Wilson Miranda, o fado de Irina Costa, as músicas dolentes dos Seresteiros da Pitanguinha. Versos e cantoria, reisado e coco de roda, repentes e emboladas. Sons que nos trazem o encantamento, acordes que nos arrebatam para além do chão, libertos das cruezas do cotidiano. Porque Alagoas é mãe benfazeja, colo terno que ampara, acaricia e protege, convite permanente ao desfrute intenso da vida. Felizes somos nós, presenteados que fomos de nascer e viver nessas paragens, herdeiros do espírito libertário de Zumbi dos Palmares e afilhados de Nossa Senhora dos Prazeres.

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