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No discurso histórico que proferiu ontem perante o Congresso dos Estados Unidos, o papa Francisco fez referência a alguns dos problemas mais graves que afetam tanto a sociedade americana como a internacional. Entre eles, o pontífice falou sobre a imigração, o fundamentalismo religioso, a mudança climática, os problemas do capitalismo, o comércio de armas, a pobreza e a pena de morte. Utilizando como referência alguns personagens que, segundo ele, ilustram a riqueza da herança cultural americana ? como Abraham Lincoln, Martin Luther King, Dorothy Day e Thomas Merton ?, Francisco tocou, de forma singela e sutil, em temas sensíveis ao mundo em geral e aos EUA em particular. Defendeu a família e criticou o aborto, defendeu o meio ambiente e invocou sua encíclica Laudato Si, defendeu a abertura das portas aos imigrantes e pediu inclusão social e combate à miséria. Na questão do fundamentalismo ? tema mais em voga do que nunca ?, o líder católico reconheceu que nenhuma religião está imune a formas de delírio individuais ou extremismo ideológico, mas ressaltou que um delicado equilíbrio é necessário para combater a violência cometida em nome de uma religião, de uma ideologia ou de um sistema econômico, enquanto também se devem salvaguardar as liberdades religiosas, intelectuais e individuais. A mensagem do papa, apesar de cheia de sutilezas e suave nas formas, com certeza incomodou a maioria republicana do Congresso. Na mudança climática, nas desigualdades, na imigração e na defesa implícita do diálogo com países considerados hostis como Cuba e Irã, não há dúvidas de que Francisco está bem alinhado com o presidente Barack Obama e o Partido Democrata. Os Estados Unidos, com 75 milhões de fiéis, é o quarto país com mais católicos do mundo, entretanto, até hoje só teve um presidente católico: John Kennedy. Há décadas, o voto dos fiéis se divide entre democratas e republicanos. O País tem um peso importante nas finanças do Vaticano, graças às pequenas contribuições pessoais desses milhões de devotos. O fato é que, acima de tudo, o papa Francisco desafiou seu público a pensar e deixar de lado as divisões ideológicas em favor da unidade, da misericórdia, da proteção de nossa casa comum e da justiça social.

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