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Opinião

Por um novo modelo de desenvolvimento

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Os 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente ontem a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável composta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os ODS substituem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), vigentes até o fim deste ano. Como destacou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a nova agenda é uma promessa dos líderes para a sociedade mundial para acabar com a pobreza em todas as suas formas, uma agenda para o planeta. Entre as propostas estão erradicar a fome e a pobreza, promover a agricultura sustentável, saúde, educação e igualdade de gênero, além de garantir a todos o acesso à água, ao saneamento e à energia sustentável, o crescimento econômico, emprego, a industrialização, cidades sustentáveis e a redução da desigualdade. A negociação da nova agenda é considerada inovadora no âmbito da ONU, porque, diferentemente dos ODM, os ODS foram elaborados com participação direta dos estados-membros e da sociedade civil e nasceram a partir de amplas consultas no mundo.Esta agenda servirá como plataforma de lançamento para a ação conjunta da comunidade internacional e dos governos nacionais com vista a promover a prosperidade comum e bem-estar para todos, ao longo dos próximos 15 anos. Não será uma tarefa fácil, pois trata-se de transformar o modelo de desenvolvimento econômico que vem reinando por pelo menos 150 anos, desde a revolução industrial. Um dos principais desafios da agenda global é o financiamento. As estimativas apontam que os governos terão de investir de US$ 3 a 5 trilhões para alcançar os objetivos. O compromisso anterior, a Agenda 21, enfrentou sérios problemas de financiamento, o que prejudicou os resultados. A questão é delicada, porque, se os países ricos não querem investir no compromisso, os mais pobres e em desenvolvimento não têm condições de bancá-lo. Os compromissos da agenda 2030 estão alinhados com o pensamento do papa Francisco, que, em sua encíclica ?Laudato Si?, propôs o que ele chama de ?ecologia integral?. Diz o papa que tudo está intimamente relacionado e que os atuais problemas exigem um olhar que atenda a todos os aspectos da crise mundial, por isso o desenvolvimento sustentável deve compreender claramente as dimensões humanas e sociais.

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