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Do discurso � pr�tica

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Um estudo apresentado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) mostra que o Brasil pode crescer mais se reduzir a emissão de gases de efeito estufa. De acordo com o documento ? coordenado pelos professores Luiz Pinguelli Rosa e Emílio La Rovere, da Universidade Federal do Rio de Janeiro ? a economia brasileira poderá gerar até R$ 609 bilhões a mais de Produto Interno Bruto (PIB) que o projetado no período de 2015 até 2030, caso o País adote medidas mais ambiciosas de redução das emissões de gases ligados ao processo de aquecimento global. O estímulo à economia poderá ser alcançado por meio de ações de atenuaçãode emissões como o aumento no uso de biocombustíveis e de investimentos no setor de transportes. A pesquisa aponta, ainda, a agricultura de baixo carbono e o incentivo ao carvão vegetal na siderurgia como alternativas para alavancar uma economia verde no País. No domingo, em discurso nas Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff afirmou que as metas brasileiras para reduzir a emissão de gases de efeito estufa são de 37% até 2025 e de 43% até 2030. São números ambiciosos, por isso foram recebidos com cautela. É verdade que objetivos como a redução de gases do efeito estufa, a busca por fontes alternativas de energia e o combate à pobreza foram incorporados às políticas públicas brasileiras nos últimos anos, e fizeram com que o Brasil se tornasse um dos principais atores internacionais no processo de desenvolvimento sustentável. Contudo, há ainda alguns aspectos em que o Brasil caminha na contramão: 70% dos investimentos em energia previstos para os próximos dez anos vão justamente para os combustíveis fósseis, e o que o governo tem indicado em conversas preliminares é manter a participação de renováveis na matriz energética de hoje até 2030. Zerar a perda de biodiversidade, dobrar a produção e renda de pequenos agricultores, garantir acesso universal à água e ao saneamento, além de garantir a todos transporte seguro, acessível e sustentável são mais algumas das metas estabelecidas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Tudo isso exigirá do governo um comprometimento com questões socioambientais muito maior do que temos visto nos últimos anos. O discurso precisa ser convertido em prática.

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