Opinião
Ficando para tr�s
Relatório Global de Competitividade, divulgado ontem pelo Fórum Econômico Mundial, revela que o Brasil perdeu mais 18 posições no ranking das economias mais competitivas do mundo, caindo para a 75ª colocação. Trata-se da maior queda já registrada pelo País e pior posição da série histórica da pesquisa. Em 2014, o Brasil tinha caído da 56ª posição para a 57ª posição.O melhor resultado foi alcançado em 2012, quando o Brasil ficou no 48º lugar. No relatório de 2015, o Brasil teve piora em 9 das 12 categorias analisadas. As quedas mais acentuadas foram nos quesitos instituições, ambiente econômico, saúde e educação primária e nos indicadores de sofisticação e inovação do ambiente empresarial. Já os pilares infraestrutura, prontidão tecnológica e tamanho do mercado tiveram leves avanços, subindo duas posições cada. O estudo destaca a deterioração de indicadores como confiança pública em políticos, pagamentos irregulares e subornos, comportamento ético das empresas, pouca eficácia dos conselhos corporativos, citando os recentes escândalos de corrupção envolvendo poder público, partidos políticos e iniciativa privada. Como os fatores mais problemáticos para se fazer negócios no país, os executivos apontaram, pela ordem, nível de tributação, leis trabalhistas restritivas, corrupção, inadequação da infraestrutura e burocracia. O fato é que historicamente o Brasil sempre sofreu com a baixa competitividade de sua economia. Para mudar esse quadro, fazem-se necessária medidas como a simplificação e a redução da carga tributária para o setor produtivo e a redução no custo do financiamento, além do investimento maciço em infraestrutura. Cabe ao governo sistematizar políticas estruturais de longo prazo e investir numa política industrial que contemple todos os segmentos do setor. Outra necessidade é o aumento de gastos com pesquisa e desenvolvimento e qualificação de mão de obra. As empresas também têm de fazer sua parte, investindo em pesquisa e desenvolvimento, que não podem ser vistas como custos. Uma atualização dos modelos atuais de gestão também é muito bem-vinda. O desafio imediado, entretanto, é superar a crise política, que se reflete na economia, para que o País possa respirar e voltar a crescer, desta vez de forma sustentável e consistente.