Opinião
Um pa�s de cabelos brancos
Estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde mostra que o Brasil está envelhecendo. O número de pessoas com mais de 60 anos no País deverá crescer muito mais rápido do que a média internacional. Enquanto a quantidade de idosos vai duplicar no mundo até o ano de 2050, ela quase triplicará no Brasil. A porcentagem atual, de 12,5% de idosos, deve alcançar os 30% até a metade do século. O crescimento dos idosos reflete o comportamento da população brasileira nas últimas décadas, que está com uma taxa de natalidade abaixo da taxa de reposição. Enquanto a expectativa de vida aumenta, a taxa de natalidade diminui. No Brasil, há mais de 15 anos nascem menos crianças que o necessário para repor os pais, ou seja, os casais estão tendo uma média de filhos inferior a dois. Enquanto isso, as pessoas estão vivendo por mais tempo. O resultado desta equação é um crescimento muito rápido na proporção de idosos no País. Nas últimas décadas, houve melhoras significativas em diversos âmbitos da sociedade, como o acesso à informação, que resulta no aumento da prevenção contra doenças e gravidez indesejada, assim como a criação do Sistema Único de Saúde, que promoveu um maior acesso à saúde, embora ainda deficiente. O problema é que o Brasil ainda não está preparado para atender adequadamente os idosos e isso tende a piorar na medida em que essa população vai crescendo e se tornando mais relevante. Enquanto em países europeus o processo de envelhecimento da população aconteceu de forma lenta e somente depois de um enriquecimento das nações, na qual problemas de infraestrutura já estavam resolvidos, o mesmo não ocorreu por aqui. Ainda há graves problemas estruturais a resolver, como a saúde e a educação públicas. Há ainda a questão da previdência social. Crescerá o número de aposentados, o que representará mais gastos para o sistema já combalido. Portanto, o envelhecimento da população não pode nunca ser visto como um fato isolado ou de pouca importância, pois tem inúmeros reflexos na vida social, influenciando o consumo, a transferência de capital e de propriedades, os impostos, a previdência, o mercado de trabalho, a saúde e assistência médica e, também, a composição e organização das famílias. Tudo isso exige que o País comece a se preparar.