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Opinião

Fevereiro chegou

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MARCOS DAVI MELO * O filho da paciente, homem tão grande quanto agressivo, apareceu-me logo nesta última segunda-feira, ao final de um longo e extenuante expediente, exigindo aos berros interná-la de imediato e de qualquer maneira. Felizmente, estávamos serenos e em condições de superar o incidente sem seqüelas irreparáveis. No fim de semana, tínhamos tomado demorados banhos de mar em Barra de São Miguel, que nos servem como um potente relaxante e insubstituível bálsamo. Debalde, tentamos explicar ao transtornado cidadão a difícil realidade que infelicitava a sua genitora. Portadora de câncer avançado desde a sua primeira consulta, há 6 anos, internara-se, fizera todos os tratamentos disponíveis e ainda permanecera com vestígios da doença, que nunca deixaram de a incomodar, e para os quais nunca lhe faltaram a nossa assistência em tantas consultas e prescrições quantas se fizeram necessário. O reinternamento ? pela recaída do quadro ?, não dependia unicamente de nossa participação. Como ela existiam incontáveis outros casos, para os quais, pelas dificuldades do Sistema, só podemos disponibilizar e garantir o nosso trabalho e nossa atenção ? os quais não têm ônus para o mesmo. As internações ficam a cada dia mais difíceis. É uma angústia para nós e um desespero para os enfermos e parentes. Enquanto a cidade está cheia de turistas e em clima festivo de férias, compartilhado por diversos companheiros, muitos outros necessitam permanecer em seus postos, cuidando de forma inalterada de seus afazeres e acumulando o estresse inevitável que os acompanha. Portanto, é preciso recarregar as baterias para, nestes momentos críticos, podermos superar estas situações tão delicadas quanto repetidas. Desta forma, os momentos de intervalo no trabalho precisam ser aproveitados da melhor forma possível. Mesmo que também trabalhando, mas em uma atividade diferente ? que embora traga preocupação e expectativa, nos traga também descontração e satisfação. Assim, estamos aproveitando todos os minutos para botar o bloco na rua. É um corre-corre. Batemos e corremos o pires na porta de muitos empresários e autoridades, pleiteando alguma ração para o Pinto da Madrugada. Uns poucos são insensíveis; outros, mais abertos, solidários e ligados com as coisas de nossa terra, entendem a proposta e não só contribuem, como nos incentivam, estimulam e ainda não exigem nada em troca. Não misturemos alhos com bugalhos, mas fevereiro chegou e com ele já se ouve ao longe os clarins de Momo. Proporcionar música e cantoria de boa qualidade, dança e alegria, sem confusão, com harmonia e autenticidade alagoanas, espairecendo quem precisa espairecer, como é a proposta do Pinto, é tão importante quanto cuidar da saúde dos enfermos. E enquanto não chega o carnaval, o melhor que podemos fazer é mergulhar nas cálidas e mansas águas do mar da Barra de São Miguel, tornadas mais acessíveis com as pequenas, mas importantes melhorias no trânsito para aquele paraíso na terra. (*) É MÉDICO

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